Na última quinta-feira (28), ações do Grupo Ultra (UGPA3), da Raízen (RAIZ4) e da Vibra (VBBR3) dispararam na bolsa paulista, tendo como pano de fundo megaoperação contra fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
De acordo com a investigação, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) usava toda a cadeia produtiva de combustíveis para lavagem de dinheiro. O esquema também contava com a participação de fundos de investimento e fintechs para esconder e multiplicar as fortunas.
Com base em comentários da imprensa e outras fontes, os analistas do Bradesco BBI identificaram 20 distribuidoras de combustíveis que podem estar envolvidas. Segundo o levantamento, a participação de mercado nacional dessas empresas tem girado em torno de 5% combinada para diesel, gasolina e etanol, com volume de vendas total de aproximadamente 7,3 bilhões de litros por ano.
Segundo uma antiga pesquisa do setor, se a maioria dos problemas informais fosse resolvida no Brasil, o impacto anual no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) das distribuidoras legalizadas e regulares seria de cerca de R$ 500 milhões, oferecendo potencial de valorização de 20% no valor das empresas de capital aberto.
Agora, com a lista das distribuidoras que supostamente cometeram irregularidades, os analistas refizeram os cálculos sob outro ângulo. Assumindo que os 7,3 bilhões de litros das empresas ilegais sejam redistribuídos igualmente entre os três maiores líderes do mercado (Vibra, Ipiranga e Raízen) com uma margem conservadora de R$ 150/m³ (metro cúbico), o potencial de EBITDA para cada empresa seria de cerca de R$ 370 milhões.
Considerando o múltiplo EV (valor da firma)/EBITDA atual da Vibra de 7,0 vezes (maior exposição a combustíveis entre as três), o BBI chegaria a um potencial de valorização por ação de 24% para Raízen, 10% para Vibra e 12% para Ultrapar.
Próximos passos
Na visão do BBI, embora a operação seja positiva para as empresas listadas, a execução dessa operação precisará ser acompanhada de perto para verificar se não será enfraquecida.
Será necessário observar se todas as 20 empresas alegadamente envolvidas perderão suas licenças para operar e se as autoridades governamentais serão rápidas para identificar novas empresas que possam surgir com a mesma intenção.
Na mesma linha, os analistas do UBS BB apontam que veem essa postura mais rigorosa em relação aos operadores irregulares como algo positivo para o ambiente do setor, “enfrentando a concorrência desleal criada por essas práticas e sustentando as margens para os operadores em conformidade”.