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Por que o BC manteve os juros no Brasil e o Fed cortou a taxa nos EUA, mesmo com inflação fora da meta por lá?

A quarta-feira foi marcada por duas decisões importantes dos bancos centrais (BC) de Brasil e Estados Unidos. Por aqui, o BC decidiu manter a Selic em 15% ao ano, a maior desde 2006, e deixou claro que assim ela ficará por “período bastante prolongado”. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) cortou a taxa e sinalizou mais duas reduções até o fim do ano.

Mas por que a autoridade monetária brasileira não baixa os juros com a perspectiva de inflação em queda e a americana reduz a taxa mesmo com os preços subindo por lá?

No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a Selic foi unânime, mantendo a taxa pela segunda reunião seguida. A missão do BC é perseguir a manutenção da inflação dentro da meta, que é de 3% em 2025, com tolerância de 1,50 ponto percentual para cima ou para baixo.

Embora a perspectiva de inflação seja de recuo, as estimativas ainda estão acima do teto da meta. No último boletim Focus, que reúne as projeções de analistas de várias instituições, a previsão é que o índice termine 2025 em 4,83%.

Além disso, na avaliação do Copom, o tarifaço do presidente americano, Donald Trump, ainda traz muita incerteza para o cenário global. Mesmo com a desvalorização do dólar, que ajuda a colocar a inflação nos trilhos por aqui, a determinação foi de cautela.

Nos EUA, a meta de inflação é de 2%. No mês passado, o indicador subiu para 2,9%. Desde abril, quando Trump anunciou o tarifaço, os preços vêm subindo. Manter ou elevar os juros poderia ajudar a trazer o índice para patamares mas baixos.

No entanto, o Fed tem uma dupla missão nos EUA. Além de perseguir a estabilidade de preços, a instituição busca o pleno emprego. E o mercado de trabalho tem dados sinais de fraqueza.

Em agosto, foram criadas apenas 22 mil vagas no país, bem abaixo das projeções de economistas. Nos oito meses de 2025, foram abertos 598 mil postos de trabalho nos EUA. No mesmo período do ano passado, foram 1,4 milhão. E taxa de desemprego está em 4,3% a maior desde setembro de 2017, desconsiderando o ano da pandemia.

Por isso, o Fed não apenas cortou os juros em 0,25 ponto percentual ontem – o que levou a taxa para uma banda entre – como também sinalizou mais dois cortes da mesma magnitude até o fim do ano.

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