Dez e sete anos depois dos acidentes de Mariana e Brumadinho, a Vale vem enfrentando, desde o fim de janeiro, problemas em duas minas na região central do estado de Minas Gerais.
Pelo menos dois extravasamentos dentro de cavas com 24h de diferença causaram a paralisação operacional das atividades de dois complexos minerários em Ouro Preto (Fábrica e Viga), por determinação da Justiça.
Apesar dos incidentes, o mercado não parece prever o risco de uma eventual escalada do problema. As ações da mineradora registram valorização de 20% só nos primeiros 40 dias de 2026. Apenas nesta segunda-feira, o papel subiu quase 2%.
Analistas que acompanham de perto as ações da mineradora afirmam que a situação é pontual e não apresenta riscos à integridade de moradores ao redor, a funcionários e ao meio ambiente. Consequentemente, os papéis não refletem a preocupação de uma possível escalada dos problemas.
Como a Vale possui grande participação nos índices por conta do seu tamanho no mercado brasileiro — no Ibovespa, a mineradora sozinha representa cerca de 12% —, a valorização da empresa vai à reboque do apetite dos investidores estrangeiros à Bolsas de países emergentes.
Eles vêm, ao longo do ano, diminuindo o investimento em ações de tecnologia nos Estados Unidos em busca de diversificação para ativos da economia real, como commodities, caso da Vale.
A valorização das ações da mineradora em 2026 vai em linha com pares internacionais. A BHP e a Rio Tinto registram valorização semelhante, subindo, respectivamente, 18 e 20%. As commodities de referência da empresa, o cobre e o minério de ferro, registram performance mais modesta. Essencial para a indústria de inteligência artificial, o cobre registra valorização de 4,6% nos 40 dias do ano, enquanto a tonelada do minério de ferro é praticamente estável, em leve alta de 0,06%.
Após as tragédias de Mariana e Brumadinho, as ações da Vale registraram forte queda e demoraram meses para recuperar o patamar imediatamente anterior ao do rompimento.
No caso da Samarco, joint venture entre a companhia brasileira e a anglo-australiana BHP responsável pela tragédia de Mariana, os papéis da empresa demoraram 119 dias para recuperar o valor do dia anterior à tragédia de Mariana, em 5 de novembro de 2015.
Pouco mais de três anos depois, em janeiro de 2019, a tragédia de Brumadinho foi a de maior tempo de recuperação ao patamar de valor da companhia, com os investidores devolvendo o valor de mercado 353 dias após o rompimento.