O diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação (Federal Housing Finance Agency), Bill Pulte, enviou um novo pedido de investigação contra a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, intensificando a campanha de pressão do governo Donald Trump contra a integrante da diretoria do banco central dos Estados Unidos em meio a acusações de fraude hipotecária.
A nova denúncia, em carta enviada à procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, datada de 28 de agosto, envolve um terceiro imóvel em Massachusetts e segue uma queixa apresentada no início deste mês, que alegava que Cook teria declarado de forma fraudulenta residências em Michigan e na Geórgia como sua “residência principal” ao obter hipotecas em 2021 — declaração que normalmente garante condições de empréstimo mais favoráveis.
A pressão ocorre às vésperas da audiência marcada às 10h (horário de Washington) desta sexta-feira para a Justiça decidir se impede temporariamente Trump de demitir Lisa Cook. A juíza distrital Jia Cobb, de uma corte de Washington, vai julgar o pedido de Cook para que uma medida temporária seja aplicada imediatamente — o equivalente a uma liminar que a protegeria da demissão.
É o primeiro passo de uma batalha jurídica que provavelmente será longa e já entra para a História como um momento crucial para avaliar a independência do banco central dos EUA.
Denúncias sem evidências
A denúncia mais recente afirma que Cook firmou um contrato de hipoteca de US$ 361 mil para um condomínio em Cambridge, Massachusetts, alegando que o imóvel era uma segunda residência. Segundo Pulte, oito meses depois, entretanto, Cook declarou ter recebido entre US$ 15 mil e US$ 50 mil em renda de aluguel e passou a classificá-lo como um imóvel de investimento. Os advogados de Cook não responderam de imediato aos pedidos de comentário. O Federal Reserve também se recusou a comentar.
O presidente Donald Trump decidiu demitir Cook após o primeiro pedido de investigação criminal, abrindo caminho para uma disputa judicial histórica e intensificando seu embate com o banco central americano. Trump tem pressionado o Fed e seu presidente, Jerome Powell, a reduzir as taxas de juros, e a eventual destituição de Cook lhe permitiria garantir maioria no conselho de diretores da instituição.
Cook, no entanto, busca barrar a medida. Na quinta-feira, ela entrou com uma ação na Justiça Federal classificando a tentativa do presidente de destituí-la como “ilegal” e retratando-a como uma manobra para tomar o controle do Fed.
Seus advogados também sugeriram que um “erro administrativo não intencional” pode estar por trás das divergências hipotecárias apontadas na primeira denúncia de Pulte. O Departamento de Justiça já sinalizou que pretende investigar Cook em relação à denúncia anterior.
A denúncia mais recente de Pulte também levanta preocupações adicionais sobre os imóveis em Michigan e na Geórgia, que estão no centro da denúncia original. Pulte afirma que a FHFA tem motivos para acreditar que a propriedade de Cook em Michigan está “atualmente sendo usada como imóvel de aluguel” e que ela aparentemente tentou alugar o imóvel na Geórgia, apesar de tê-lo declarado como “residência pessoal” em documentos federais.
Ele solicita ao Departamento de Justiça que investigue se a diretora do Fed cometeu “novas potenciais violações criminais, bem como declarações falsas relevantes” a fim de, entre outras coisas, “adquirir e manter seu cargo de governadora”.
Pulte tem atacado Cook nas redes sociais nos últimos dias. “Ninguém está acima da lei”, escreveu ele na quinta-feira, após ela entrar com a ação judicial, publicando uma imagem que, segundo ele, mostra assinaturas idênticas em documentos de hipoteca referentes aos imóveis em Michigan e na Geórgia.
A juíza distrital federal Jia Cobb, indicada pelo ex-presidente Joe Biden, marcou uma audiência para sexta-feira sobre o pedido de Cook por uma ordem de restrição, enquanto ela busca permanecer no cargo.