Cuba começou a aplicar novas medidas de emergência destinadas a economizar combustível para enfrentar o estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos, que afeta duramente o cotidiano da população.
As medidas anunciadas pelo governo incluem a semana de trabalho de quatro dias para economizar eletricidade, o teletrabalho e o racionamento da venda de combustível a particulares.
Os efeitos colaterais já são vistos nas ruas. Usuários de táxis privados notaram aumento no preço do serviço, que em alguns trajetos passou de 200 pesos (R$ 2,09) para 350 pesos cubanos (R$ 3,66).
Entenda a crise
A ilha comunista, com 9,6 milhões de habitantes, encontra-se em situação particularmente vulnerável após o fim do envio de petróleo da Venezuela, depois da derrubada de Nicolás Maduro em uma incursão armada dos Estados Unidos.
Como sinal da gravidade da crise, as autoridades cubanas informaram às companhias aéreas que operam no país que o fornecimento de combustível ficará suspenso por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira (9). A medida obrigará as empresas que realizam voos de longa distância a fazer uma “escala técnica” para garantir o reabastecimento.
Além disso, o governo anunciou o fechamento de alguns hotéis com baixa ocupação e a realocação de turistas para outros estabelecimentos.
Também houve redução dos serviços de ônibus e trens entre províncias, assim como dos dias letivos. As universidades passaram a funcionar a distância, como durante a epidemia de covid-19, ou em regime semipresencial.
As medidas devem permitir economizar combustível para favorecer “a produção de alimentos e a produção de eletricidade” e garantir “a proteção das atividades fundamentais que geram divisas”, declarou o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, citando em especial o setor do tabaco.
As ações adotadas pelo governo cubano lembram as diretrizes aplicadas durante o “período especial”, a grave crise econômica que ocorreu após a queda da União Soviética, então principal fornecedora de petróleo de Cuba, em 1991.