O Reino Unido se distancia da União Europeia ao não retaliar as tarifas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sobre as importações de aço e alumínio nesta quarta-feira. Isso porque nos cálculos do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ele pode negociar um acordo comercial com os americanos que pouparia o país a longo prazo.
O governo do Reino Unido expressou somente um desapontamento silencioso por ser arrastado para a rede protecionista de Trump. Starmer disse ao Parlamento que estava “desapontado” com as tarifas globais sobre aço e alumínio, mas que o país adotaria uma “abordagem pragmática”. Um novo acordo comercial incluiria tarifas, acrescentou, e “manteria todas as opções em aberto”.
Mas o premier acredita que, em última instância, poderá persuadir Trump de que a relação comercial dos britânicos com os Estados Unidos é equilibrada.
O Reino Unido tem um superávit comercial de US$ 89 bilhões ou um déficit de US$ 14,5 bilhões com os Estados Unidos, dependendo da citação de estatísticas britânicas ou americanas. A diferença se baseia, em parte, na forma como ambos os lados tratam os centros financeiros offshore, como Jersey e Guernsey, que são dependências da coroa.
Starmer também tem pressionado Trump a fornecer garantias de segurança americanas à Ucrânia como parte de uma negociação de paz com a Rússia. Os dois líderes têm se falado regularmente por telefone desde a reunião, já que Starmer tem tentado ajudar a curar o rompimento de Trump com o presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia.
Mas a decisão do Reino Unido de não retaliar as tarifas pode complicar a outra grande prioridade de seu primeiro-ministro: aproximar o país da União Europeia após o Brexit. A abordagem contrasta fortemente com a do bloco europeu, que reagiu rapidamente com medidas em retaliação sobre as exportações americanas, incluindo motocicletas Harley-Davidson, bourbon e jeans.