A cobrança de tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio nos Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira (12), um mês após assinatura de decreto pelo presidente Donald Trump.
A medida irá atingir em cheio o setor siderúrgico de grandes parceiros comerciais dos EUA, como o Canadá, México e Brasil. Com isso, o cenário traz desafios para o setor siderúrgico, que terá que redirecionar suas vendas ou, no longo prazo, diminuir a produção.
Entre as empresas que têm fábricas instaladas no Brasil, os efeitos devem ser diversos. De um lado, estão as companhias com maior atuação no mercado de exportação — e que podem sair prejudicadas, com queda no volume exportado.
Do outro, estão aquelas cujo peso das exportações é menor, tendo o impacto suavizado. Nesses casos, os desafios ficam com a mudança do mercado interno, diante do possível aumento da oferta de produtos aqui no país — o que tende a baixar preços e reduzir as margens das companhias.
Os impactos para Brasil
O Brasil é, em volume, o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, conforme dados do Departamento de Comércio norte-americano. Ao todo, foram 4,1 milhões de toneladas em exportações para o país em 2024.
Os números ficam atrás apenas do Canadá, responsável por 6 milhões de toneladas ao mercado norte-americano. Em terceiro lugar, vem o México, com o envio de 3,2 milhões de toneladas.
Especialistas apontam que o cenário irá exigir que o Brasil diversifique os destinos dos produtos, buscando mercados em outros países — tarefa difícil, já que a concorrência esbarra na China, uma grande exportadora. Outra alternativa seria tentar vender o excedente no próprio mercado nacional.
Quem saí perdendo?
Além da pressão externa, há o interesse de parte da indústria americana para que as taxas deixem de ser aplicadas. Não à toa, CEOs de grandes empresas estão pressionando Trump pelo fim da guerra comercial.
O interesse dos empresários vem do potencial das medidas de aumentar os custos de produção e os preços ao consumidor final — um desafio também para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que atua para conter a inflação no país.
O encarecimento dos produtos força o Fed a manter os juros norte-americanos elevados por mais tempo, o que gera um movimento de valorização do dólar em relação a moedas emergentes, como o real. Isso também pressiona a inflação no Brasil.