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Argentina de Milei usa mecanismos ‘criativos’ para segurar o dólar em meio à queda nas reservas cambiais

Com menos de US$ 1 bilhão de reservas no caixa de seu banco central e à espera de um socorro já anunciado pelo governo americano, a Argentina tem recorrido a mecanismos criativos para tentar segurar a cotação do dólar e evitar que uma desvalorização do peso pressione a inflação no país. A crise nos mercados é uma preocupação para o governo do presidente Javier Milei às vésperas das eleições parlamentares marcadas para 26 de outubro.

De acordo com estimativas de operadores, o Tesouro vendeu pelo menos US$ 1,5 bilhão nas últimas seis sessões para manter a taxa de câmbio abaixo do limite da banda cambial, que atualmente é de 1.430 pesos por dólar. Dados do banco central mostram que havia US$ 1,7 bilhão em depósitos em dólar em 2 de outubro, o que sugere que as reservas cambiais do país estão agora abaixo de US$ 750 milhões.

O banco central só tem permissão para intervir no mercado à vista de câmbio quando o peso ultrapassa os limites da banda de flutuação acordada no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Diante disso, o banco central tem buscado alternativas para conter as apostas de desvalorização.

Entre as ferramentas que vem utilizando está um mercado secundário operado pela bolsa local BYMA. Antes da entrada do BC nesta bolsa, a plataforma estava praticamente inativa. Os volumes têm aumentado desde 19 de setembro, segundo pessoas com conhecimento direto do assunto. Ainda assim, a liquidez continua limitada, com posições em aberto de US$ 141 milhões na terça-feira.

O BC argentino também passou a operar em um mercado bilateral dentro da bolsa A3 — um espaço pouco utilizado, onde compradores e vendedores negociam diretamente, sem uma contraparte central. O banco central entrou nesse mercado com menos de US$ 10 milhões, segundo uma das fontes.

A tentativa de influenciar o peso foi além do mercado de derivativos, com o governo recorrendo também ao mercado de títulos públicos. Recentemente, realizou uma troca de dívida de US$ 4 bilhões, permitindo que o banco central recebesse títulos indexados ao dólar do Tesouro em troca de bônus e notas em pesos.

Mesmo com os esforços, os contratos futuros de dólar indicam uma taxa de desvalorização anualizada do peso em torno de 60%, bem acima da taxa projetada pelo banco central — inferior a 30% nos próximos 12 meses. A diferença crescente evidencia o quão rapidamente está se deteriorando a confiança na moeda — e no governo do presidente Javier Milei.

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