A dívida bruta do Brasil em março voltou a subir e atingiu R$ 10,4 trilhões, o que equivale a 80,1% do PIB, segundo dados do Banco Central (BC). Com um crescimento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior, a dívida pública chegou ao maior nível desde julho de 2021, na pandemia, quando o indicador alcançou 80,3% do PIB.
O cálculo leva em conta o governo federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e governos estaduais e municipais. Este é um dos principais indicadores econômicos observados pelos investidores na avaliação da saúde das contas públicas.
O pagamento da dívida está entre as maiores despesas obrigatórias do governo federal, e sua expansão reduz o espaço para gastos discricionários, os não obrigatórios, como recursos para investimento e custeio. Hoje, essas despesas de livre gasto representam menos de 10% do orçamento federal.
A expansão do passivo segue uma tendência observada também no ano passado. Em 2025, a dívida pública federal cresceu 18%, a maior alta desde 2015, superando o endividamento adquirido em 2020 (alta de 17,9%), na pandemia.
Segundo o BC, a variação mensal da dívida bruta foi puxada para cima pelos juros nominais apropriados (alta de 0,9 ponto percentual), das emissões líquidas da dívida (alta de 0,4 ponto percentual) e pelas variação do PIB nominal, que teve redução de 1,2 ponto percentual.
Ao se considerar o critério nominal, que engloba as despesas com juros da dívida pública, houve déficit de R$ 199,5 bilhões em março. No acumulado de doze meses, houve déficit nominal de R$1.217,5 bilhões (9,41% do PIB).
Dívida líquida
Enquanto isso, a dívida líquida, que desconsidera os ativos do governo, subiu a 66,8% do PIB em março, chegando a R$ 8,6 trilhões, um crescimento de 1,3 ponto percentual em comparação com o mês anterior.
Déficit do setor público
O BC ainda divulgou o resultado fiscal do setor público consolidado, que registrou um déficit primário (quando se desconta o pagamento dos juros da dívida) de R$ 80,7 bilhões em março deste ano. No mesmo período do ano passado, o resultado foi de superávit de R$ 3,6 bilhões.
Os dados do setor público consolidado levam em conta os resultados fiscais de União, estados, municípios e empresas estatais (exceto setor financeiro e Petrobras).
O superávit acontece quando as receitas do governo com tributos e impostos são maiores que suas despesas. O mesmo acontece nos casos das empresas estatais, mas com suas receitas de serviços e produtos.
Neste mês, o resultado foi composto pelos déficits de R$ 74,8 bilhões do governo central, R$ 5,4 bilhões dos governos regionais, e R$ 0,5 bilhão das empresas estatais. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$137,1 bilhões, equivalente a 1,06% do PIB, 0,65 p.p. do PIB