O governo do presidente Lula quer dar prioridade à votação no Congresso do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, assinado no último sábado. O termo precisa ser ratificado na Câmara e no Senado, e governistas falam em trabalhar para que isso seja apreciado no início do ano legislativo, a partir de fevereiro.
Um auxiliar de Lula afirma que há uma avaliação que é um tema que pode unir os parlamentares de diferentes campos ideológicos para começar o ano com uma pauta positiva, num momento em que o governo busca distensionar a relação com o Legislativo.
Além disso, uma liderança afirma que esse assunto também poderá representar uma sinalização do governo ao setor do agronegócio, que será beneficiado com o acerto. O segmento apresenta mais resistência ao governo Lula e representa uma das principais forças no Congresso.
O tratado foi assinado no último sábado. O acordo comercial cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e é resultado de mais de 25 anos de negociação. O acordo UE–Mercosul elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral e favorece as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para os países fundadores do Mercosul. Em contrapartida, facilita a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos.
Motta promete prioridade
O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou em publicação nas redes que dará prioridade ao tema na Casa. “Pretendemos dar ao acordo a tramitação mais rápida possível na Câmara dos Deputados, para que ele possa entrar em vigor o quanto antes e, assim, começar a repartir seus frutos a todos os participantes”, escreveu.
Governistas reconhecem, no entanto, que por causa do feriado do Carnaval, em fevereiro, esse tema possa começar a ser discutido a partir de março.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), diz que conversou com o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) sobre o tema e que ouviu do parlamentar que ele também dará celeridade à votação na Casa. Ele afirma que isso deve ser apreciado ainda neste primeiro semestre.