O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Lula recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto, quando ainda não havia “indícios de crime” do Banco Master.
O rumor existia desde 2024, mas você não tinha indícios de crime de fraude, parecia um negócio mal feito, e aí o cara falava que estavam com ciúmes dele, que vai desafiar o sistema bancário, Itaú que se cuide. Era isso que se ouvia — disse em entrevista ao Metrópoles nesta quinta.
Conforme revelado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim no ano passado, Vorcaro, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 dezembro de 2024. O encontro não foi registrado na agenda oficial, nem conta nos registros de entrada do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação mostram que Vorcaro esteve ao menos outras três vezes no Planalto. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), o banqueiro não foi recebido por Lula nem por outros ministros nessas datas registradas oficialmente.
Segundo Haddad, no encontro, Lula tratou com Vorcaro sobre o problema de liquidez do Master, e comunicou ao banqueiro que a decisão caberia ao Banco Central (BC). Haddad ainda disse que o presidente do BC, Gabriel Galípolo herdou, possivelmente, a “maior fraude bancária” da história do sistema financeiro brasileiro com o caso do Banco Master e tomou as medidas necessárias.
Segundo Haddad, a partir do momento que o governo tomou conhecimento das investigações, a orientação era de agir para que houvesse uma investigação “técnica”. Perguntado se houve demora para agir da gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, Haddad disse que as investigações das autoridades vão encontrar eventuais omissões.