A piora das tensões no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que tem respondido às ofensivas em outras regiões, começa a lançar dúvidas entre economistas sobre a magnitude dos cortes de juros a serem realizados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne entre os dias 17 e 18 de março.
A aposta majoritária do mercado ainda é de que a autoridade monetária comece o ciclo de cortes da taxa Selic dos atuais 15% para 14,5% ao ano na próxima reunião, mas já há quem questione essa possibilidade. Enquanto outros acendem uma luz amarela sobre a reunião seguinte, em abril, prevista para os dias 28 e 29 daquele mês.
O desafio dos economistas para calibrar as expectativas é saber a duração e o tamanho do conflito no Oriente Médio, o que impacta diretamente os preços do petróleo, do câmbio e outros ativos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já disse que projeta que a guerra deve durar entre quatro a cinco semanas.
Efeito inflacionário
O receio do mercado é que uma alta mais persistente do petróleo acabe contaminando preços no Brasil, justamente num momento em que a inflação vinha mostrando desaceleração, de 5,06% em fevereiro de 2025, no acumulado em 12 meses, para 4,44% em janeiro deste ano. O BC pode manter os juros elevados por mais tempo, ou reduzir o ritmo de cortes, para preservar essa trajetória de queda.
Além disso, momentos de tensão global costumam fortalecer o dólar. Se o cenário de aversão a risco ganhar força, a divisa americana sobe e os produtos importados podem ficar mais caros no Brasil, o que adicionaria nova camada de pressão inflacionária.