Além de culminar com a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), também levou ao afastamento do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). A operação foi autorizada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Tanto Santana como Souza já estavam fora de seus cargos desde janeiro. O ministro também determinou que os dois servidores sejam monitorados por tornozeleira eletrônica.
Os dois servidores afastados hoje foram alvos também de uma investigação interna para entender o que aconteceu no escândalo do Banco Master. A sindicância fora iniciada a partir de uma decisão do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
Souza foi o responsável por autorizar a compra por Daniel Vorcaro do Banco Máxima, que passou a se chamar Master. Mais recentemente, atuava como chefe-adjunto do Desup e era responsável por acompanhar a solidez e a estabilidade do mercado financeiro.
Belline chegou a ser cotado para substituir Souza na diretoria de Fiscalização, que hoje é ocupada por Aílton de Aquino Santos. Belline assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relativos ao Master.
Compra suspeita de carteira
Um desses documentos foi citado pela defesa de Vorcaro na argumentação do banqueiro perante a Justiça. Em um ofício enviado ao Ministério Público Federal, Belline relata que uma operação de compra suspeita de carteiras fictícias de crédito pelo Master no fim de 2024 acabou sendo desfeita no início de 2025. Em outro trecho, diz que o BC não identificou indícios de irregularidades em transações de crédito consignado originadas pelo próprio Master.
O escândalo do Master
O escândalo do Master veio à tona em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decidiu liquidar a instituição financeira, encerrando as suas atividades, afastando seus administradores e bloqueando o patrimônio para pagar credores.
No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar suspeitas de fraudes em uma operação de venda de carteiras de crédito com indícios de irregularidade no valor de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.
Outra investigação da PF em parceria com o BC apontou indícios de irregularidades na relação do Master com a gestora de recursos Reag DTVM, que foi liquidada em 15 de janeiro deste ano. Segundo as apurações, a instituição financeira de Daniel Vorcaro fazia empréstimos para empresas que repassavam os recursos para inflar o resultado de fundos da Reag.
O dinheiro, após uma série de transações relâmpago, voltava para o próprio Master em aplicações de CDBs (Certificado de Depósito Bancário), título de renda fixa emitido por instituições financeiras.
A terceira fase da operação foi deflagrada nesta quarta-feira. O objetivo da nova fase da operação, que foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), é investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. Segundo a PF, as investigações contaram com o apoio do Banco Central.