Ativos latino-americanos surgiram como um refúgio para investidores de mercados emergentes em meio às tensões no Oriente Médio. Moedas da região, do real brasileiro ao peso argentino, estão entre as poucas em mercados emergentes que se valorizaram frente ao dólar desde o início da guerra no Irã. Títulos em dólar de países ricos em petróleo, como Equador e Colômbia, estão entre os de melhor desempenho no período, assim como a dívida em moeda local da Colômbia.
O fracasso de Estados Unidos e Irã em fechar um acordo de paz no fim de semana deve pesar sobre o sentimento do mercado e elevar a demanda por ativos de refúgio nesta segunda-feira. Com pouca visibilidade sobre se o cessar-fogo firmado na semana passada vai se sustentar, traders têm apostado que posições na América Latina resistirão sob diferentes cenários.
A América Latina apresenta algumas das maiores taxas de juros reais do mundo, tornando-se um destino atraente para operações de carry trade, nas quais investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos e investem em outra com juros mais altos.
Commodities
As ações também têm superado seus pares em mercados emergentes. Um índice MSCI de ações latino-americanas acumula alta de cerca de 3% desde o início da guerra, contrariando perdas de cerca de 4% no indicador amplo de ações de países em desenvolvimento.
Os fluxos para dívida ficaram negativos em US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões), mas as ações ainda atraíram US$ 1,4 bilhão (ou R$ 7 bi), sugerindo que o suporte das commodities e o apelo relativo de carry continuaram a sustentar a região.
As saídas da América Latina representaram menos de US$ 1 bilhão de um total de US$ 70 bilhões retirados de ativos de mercados emergentes em março.
Ainda assim, permanecem vulnerabilidades. As altas taxas de juros no Brasil continuam a corroer os balanços corporativos, levando cada vez mais empresas a situações de estresse financeiro. Investidores enfrentam eleições presidenciais imprevisíveis, com resultados binários, em vários países. A Colômbia teve recentemente sua nota de crédito rebaixada devido a preocupações fiscais, enquanto o Chile, importador de energia, viu sua moeda e seus títulos ficarem para trás.
No início deste mês, o Fundo Monetário Internacional alertou que os mercados emergentes se tornaram mais vulneráveis a mudanças no sentimento global de risco devido à maior exposição a financiamentos provenientes de instituições não bancárias, como fundos de pensão e hedge funds.