O conflito entre Estados Unidos e Irã, que levou a altas significativas no petróleo nas últimas semanas, já mostra seus reflexos na inflação. O índice, divulgado pelo IBGE, subiu para 0,88% em março, após alta de 0,70% em fevereiro, puxado por um encarecimento de combustíveis e alimentos.
Já era esperado por analistas que combustíveis e alimentos pressionassem o índice deste mês, mas os números vieram ainda maiores. O indicador acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,14%, acima dos 3,81% registrados nos 12 meses anteriores.
A alta com maior impacto individual foi a da gasolina, cujo preço subiu 4,59%. Sem esse item, o resultado da inflação teria sido 0,68%.
O diesel teve a maior alta desde novembro de 2002, de 13,90%. Embora o peso direto do diesel seja pequeno no IPCA, economistas acreditam que esse encarecimento pressionou o preço dos alimentos, pelo efeito do frete. Com isso, a alimentação no domicílio subiu 1,94%, percentual bem superior aos 0,23% de fevereiro, além de ser o maior desde abril de 2022 (2,59%).
O Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a Selic, a taxa básica de juros atualmente em 14,75% ao ano, deve continuar caindo, mas o ritmo dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio.