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Acordos com China abrem espaço para novos mercados agrícolas e tecnológicos no Brasil

Um dia depois do encerramento da Cúpula do G20, grupo das maiores economias do mundo, no Rio, o presidente da China, Xi Jinping, se encontrou com o presidente Lula em Brasília. Os dois acertaram elevar a relação entre os dois países a “um novo patamar”.

Os dois líderes assinaram 37 acordos, mas dosaram a abertura de novas frentes comerciais. Os documentos assinados incluem a abertura de quatro mercados agrícolas, em vez dos seis que estavam prontos para serem firmados.

Considerando a demanda chinesa e a participação brasileira nesses mercados, o potencial comercial é de cerca de US$ 450 milhões por ano, estimou o Ministério da Agricultura. O valor é relativamente baixo quando se considera a relação comercial — a China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil e uma das principais origens de investimentos em território brasileiro.

Em 2023, as exportações brasileiras totalizaram US$ 104,3 bilhões e importações vindas da China somaram US$ 53,2 bilhões, um saldo positivo de US$ 51,1 bilhões para o Brasil. Isso equivale a 52% do nosso superávit comercial.

Com os novos acordos, China deu aval, em termos de autorização fitossanitária, para a exportação, pelo Brasil, de farinha de peixe (junto de óleo de peixe e outras proteínas e gorduras derivadas de pescado para ração animal), de sorgo, de gergelim e de uva fresca. Ficaram de fora os acordos para o Brasil vender miúdos de carne, porque não foram finalizados.

Concorrente de Elon Musk

Dos 37 acordos, 24 foram “memorandos de entendimento” prevendo parcerias em diferentes áreas. Um desses acordos foi com a empresa chinesa SpaceSail, concorrente da Starlink, do bilionário Elon Musk. A companhia chinesa está desenvolvendo um serviço de internet de alta velocidade por meio de satélites de órbita baixa.

A Starlink é hoje a líder na tecnologia, vista como uma solução para conectar regiões de difícil acesso à infraestrutura de telecomunicações.

O memorando assinado com a estatal brasileira Telebras prevê que as empresas estudem a demanda por internet via satélite em locais que a infraestrutura de fibra óptica não chega, como áreas rurais.

Veja os temas dos 37 acordos firmados entre Brasil e China

  • Cooperação em projetos: No lugar da adesão do Brasil à Nova Rota da Seda, foi assinado um acordo de cooperação “para o estabelecimento de sinergias” entre a iniciativa chinesa e planos do governo Lula, como o PAC e a política industrial.
  • Mercados para o agro: A China abriu o mercado local para quatro produtos brasileiros: uvas frescas; gergelim; farinha, óleo e outras proteínas e gorduras de peixe para ração animal; e sorgo. Além de acordo sobre tecnologia e regulação de pesticidas.
  • Ciência e tecnologia: Em pesquisas, os acordos incluem cooperação em estudos sobre indústria fotovoltaica, tecnologia nuclear, radiação, inteligência artificial (inclusive para agricultura familiar) e definição de normas técnicas.
  • Audiovisual: O acordo inclui cooperação no setor audiovisual e de novas mídias. Isso engloba a possibilidade de colaboração na produção de obras audiovisuais, em projetos conjuntos, e na organização de eventos culturais.
  • Indústria e pequenas empresas: Foram firmados compromissos como cooperação em economia circular, sustentabilidade do transporte e geração de energia renovável, além de estímulos para favorecer pequenas e médias empresas no comércio internacional.
  • Concorrente de Musk: Um memorando foi assinado com a SpaceSail, concorrente da Starlink, de Elon Musk. A cooperação prevê estudos sobre a demanda de internet em locais onde a fibra óptica não chega, como áreas rurais, e parcerias em inclusão digital.

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