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Quais são os produtos brasileiros mais prejudicados pela tarifa de Trump?

Pouco mais de 10% das exportações do Brasil têm como destino os EUA. As vendas representaram cerca de 1% do PIB brasileiro. Setores da economia brasileira como os de carnes, café, e até fabricante de aviões, são o alvo mais imediato do imposto de importação de 50% que o presidente americano, Donald Trump, impôs sobre produtos do Brasil.

Os analistas lembram, entretanto, que a relação de imposição de tarifas entre os EUA e outros países tem sido marcada por inúmeros vaivéns e, que, portanto, há uma grande incerteza sobre qual será o número final. Veja a seguir o impacto em alguns setores.

Combustíveis

No etanol, a percepção de que o produto brasileiro tem uma pegada de carbono menor do que o americano atenua a percepção de impacto.

No setor de óleo e gás, apesar de os EUA representarem cerca de 13% das exportações totais de petróleo bruto do país, a especialistas veem efeitos “facilmente mitigados pela redistribuição dos fluxos de exportação, dado que o petróleo é uma commodity líquida e com mercado global”.

Celulose e mineração

No setor de papel e celulose, a gigante brasileira Suzano também possui cerca de 15% de sua receita total para os EUA e pode “enfrentar atritos de curto prazo”, até que a empresa realoque os volumes no médio prazo.

Na mineração, a Gerdau se beneficia de ter boa parte de suas operações já nos Estados Unidos, enquanto CSN e Usiminas já sentiram o impacto das tarifas sobre o aço. O mercado trabalha agora com a expectativa de que o setor consiga negociar cotas.

A mineradora Vale exporta poucos produtos aos EUA. Ontem, as ações do setor de mineração estão entre as poucas altas da Bolsa por um salto no minério diante da determinação da China em erradicar o excesso de capacidade industrial, o que ajuda os preços.

Suco de laranja

A CitrusBR, entidade que representa o setor exportador de suco de laranja, explica que, da safra 2024/25, os EUA representaram 41,7% das exportações. A entidade diz que uma tarifa de 50% sobre o produto representa um aumento de 533% sobre os US$ 415 em tributos cobrados sobre a tonelada do suco brasileiro.

Considerando a cotação da Bolsa de Nova York de 9 de julho (US$ 3.600 por tonelada), cerca de US$ 2.600 — ou 72% do valor total do produto — passariam a ser recolhidos em tributos, inviabilizando as exportações para aquele mercado com prejuízos para toda a cadeia.

Entre as consequências, a CitrusBR aponta a interrupção de colheitas no campo brasileiro, desorganização do fluxo de fábricas e paralisação do comércio, diante de um cenário de incerteza.

Carnes

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa 43 empresas do setor, defendeu em nota que questões geopolíticas não devem se transformar em barreiras ao abastecimento global e à segurança alimentar.

“A associação segue à disposição para contribuir com o diálogo, de modo que medidas dessa natureza não gerem impactos para os setores produtivos brasileiros nem para os consumidores americanos, que recebem nossos produtos com qualidade, regularidade e preços acessíveis”, diz o texto.

A venda de carne bovina para os EUA cresceu 102% em receita e 112,6% em volume. Com o rebanho bovino americano no menor nível desde a década de 1950, os frigoríficos dos EUA têm dependido mais do fornecimento de países como o Brasil, e os preços das carnes têm subido.

Em 2024, US$ 1,4 bilhão em carne bovina foi importado do Brasil pelos EUA, sendo que os embarques nos primeiros cinco meses de 2025 superaram o mesmo período de 2024.

Café

Maior exportador de café do mundo, o setor no Brasil deve sofrer com aumento de custos e impacto em toda a cadeia, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

A entidade lembra que os EUA são o maior consumidor de café no mundo e dependem dos países produtores, como o Brasil, que fornece 30% do café consumido nos EUA. Os contratos futuros de café, com vencimento em setembro deste ano, subiram 1,3% na Bolsa de Nova York.

Aço e alumínio

No setor de aço, que já havia sido taxado em 50% pelos EUA, há temor de que a taxação chegue a 100%. A diretora de Assuntos Institucionais do Instituto Aço Brasil, Cristina Yuan, avaliou ontem em reunião na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados que a decisão de Trump “inviabilizará a exportação de aço e alumínio”.

Cristina disse que ainda não está esclarecido se a tarifação é cumulativa. Se for o caso, o setor de aço e alumínio, que já paga tarifa de 50%, arcaria com mais 50%:

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) expressou preocupação com o aumento das tarifas. “Este é o momento de reavaliar posicionamentos, reconsiderar decisões e buscar soluções por meio do diálogo com esse parceiro estratégico”, diz trecho da nota.

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