Ao manter a taxa básica de juros em 15% ano ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que o alívio deve começar em março. Se o corte for confirmado, será a primeira redução desde maio de 2024, quando a Selic foi de 10,75% para 10,5%. A partir de setembro daquele ano, com o avanço da inflação, o Copom retomou as elevações. A taxa está em 15% desde 20 de junho de 2025.
O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.
Mesmo com a sinalização clara, o BC demonstrou que não pretende tomar riscos para levar a inflação ao centro da meta, de 3%. Além de manter a palavra “cautela” no comunicado, o Copom deixou claro que os juros serão mantidos em níveis que não impulsionem fortemente a economia.
O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.”, diz o texto.
As condições da economia permitem de fato que os cortes na Selic comecem. A rigor, desde o fim do ano passado já havia algum espaço para iniciar o processo, mas prevaleceu a cautela, especialmente com um mês de dezembro com turbulências políticas e mudanças tributárias relevantes que trouxeram volatilidade cambial.
Mas, se em dezembro houve um fluxo intenso de saída de dólares, este mês viu os investidores buscando alternativas ao dólar, em meio às ações geopolíticas de Donald Trump. Mas fatores internos, como as evidências mais claras de uma economia em desaceleração e dados melhores de inflação, também ajudaram a valorizar o real, e o dólar recuou a R$ 5,20.
As projeções divulgadas pelo BC para o chamado “horizonte relevante” — o terceiro trimestre de 2027 — apontam um IPCA de 3,2%, contra 3,4% este ano. Já a expectativa para os chamados “preços livres” (aqueles definidos pelas forças de mercado e que é onde a política de juros tem efeito) é de 3,1% no ano que vem, frente a 3,5% em 2026.