Apesar da incerteza em relação aos impactos da guerra no Oriente Médio na economia, o Banco Central (BC) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) repete o movimento realizado em março, quando foi iniciado o ciclo de “calibração” dos juros. Ainda assim, a Selic permanece no maior patamar desde outubro de 2006, em um esforço do BC para alcançar a meta de 3% da inflação.
O Copom também voltou a falar em “serenidade e cautela na condução da política monetária”. O ambiente externo, afirmou, “permanece incerto”, em função da indefinição a respeito da duração e dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”
Em relação aos efeitos sobre o Brasil, o BC reconheceu que a guerra provocou um “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta. O comunicado, porém, não dá detalhes sobre os próximos passos do Copom, como ocorrido em março, com o objetivo de observar os desdobramentos do conflito, que elevou os preços do petróleo.
Texto mais duro
Para este ano, a estimativa de inflação oficial do BC saltou de 3,9% para 4,6%, acima do teto da meta, de 4,5%. Para o fim de 2027, prazo com o qual o Copom trabalha para alcançar a meta, subiu de 3,3% para 3,5%, ficando mais longe do centro do alvo. Essas projeções consideram o cenário da Selic do Boletim Focus, de 13% no fim deste ano e de 11% no fim de 2027.
Ao mencionar os riscos para a inflação, o comunicado cita, com relação à pressão de alta, a desancoragem das expectativas por período mais prolongado, devido à alta do petróleo; maior resiliência na inflação de serviços; e “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. E lembrou que o mercado de trabalho continua aquecido.
Por outro lado, nos riscos de baixa, o documento aponta uma eventual desaceleração da atividade econômica tanto doméstica quanto global mais acentuada do que a projetada, e uma queda nos preços das commodities, que teria efeitos desinflacionários.