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Argentina reduz controle do câmbio e peso despenca; entenda

A desvalorização do peso argentino e a forte alta no mercado de ações e nos títulos públicos refletem as novas políticas de câmbio anunciadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, na semana passada. 

O peso caiu quase 10%, sendo negociado a 1.190 por dólar. A maior queda entre as 33 moedas mais negociadas no mundo, segundo dados de preços compilados pela Bloomberg. Com isso, o dólar ficou mais caro cerca de 8%, considerando a cotação oficial do Banco Nación.

A restrição do cepo, anunciada na última sexta-feira (11) pelo banco central da Argentina, determina o fim da paridade fixa para a moeda argentina e introduz o “câmbio flutuante” — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado. Com isso, o governo de Javier Milei ensaia o fim do sistema de restrição cambial que estava em vigor desde 2019, limitando a compra de dólares e outras moedas estrangeiras pelos argentinos.

Junto com a redução do controle cambial foi anunciado que a Argentina fechou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, o dinheiro permitirá a “recapitalização do BC para ter uma moeda mais saudável e continuar o processo de desinflação”.

No primeiro dia útil após os anúncios, a moeda argentina desvalorizou 11,38% em relação ao dólar. Mas o S&P Merval, índice que mede o desempenho das ações mais líquidas da Argentina, registrou alta de 4,70%.

Principais altas

As principais empresas argentinas listadas nas bolsas americanas também tiveram forte alta no dia. Veja o desempenho:

  • YPF Sociedad Anonima subiu 10,26%
  • Grupo Financiero Galicia SA ADR subiu 14,05%
  • Grupo Supervielle SA subiu 18,07%
  • Banco Macro SA B ADR subiu 15,41%
  • BBVA Argentina subiu 14,78%
  • Despegar.com (Decolar) teve leve recuo, de 0,05%

Entenda a nova política cambial da Argentina

O novo regime de taxa de câmbio da Argentina acaba com o chamado “cepo” — uma série de restrições cambiais impostas pelo governo em 2019 para controlar a compra e venda de dólares. Na época, o governo implementou a medida para limitar a compra de moeda e evitar a fuga de capitais para estabilizar a economia argentina, em meio a problemas nas contas públicas e alta dos preços. Agora, a nova política cambial de Milei permitirá que o peso argentino flutue livremente entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar — a política anterior era de câmbio fixo.

O governo argentino detalhou que a nova faixa móvel se expandirá em 1% a cada mês, tanto no limite superior quanto no inferior, e o BC poderá comprar e vender dólares se esse intervalo for quebrado.

O BC argentino também explicou que, enquanto a moeda flutuar dentro dos limites estabelecidos, a instituição poderá operar nos mercados secundários por meio de operações de mercado aberto — são operações realizadas para controlar a oferta da moeda e ajudar no controle da política monetária.

De acordo com o FMI, a ideia de restringir o controle de câmbio é fazer com que a estrutura monetária da Argentina evolua para uma “taxa de câmbio totalmente flexível no contexto de um sistema bimonetário” — em que o peso argentino e o dólar coexistem e podem ser usados simultaneamente.

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