Quem pretende financiar a casa própria vai encontrar juros mais altos em três dos maiores bancos privados do país. Bradesco, Itaú Unibanco e Santander elevaram as taxas do crédito imobiliário nos últimos dias, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
Os reajustes tornam o financiamento mais caro e podem aumentar o valor das prestações de quem pretende assumir uma dívida de longo prazo para comprar um imóvel. Segundo os bancos, as mudanças acompanham a alta dos juros futuros, que influencia o custo dos recursos utilizados pelas instituições para conceder financiamentos.
Veja como ficaram as taxas:
- Bradesco: a taxa passou de 11,69% para até 15% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), para a maioria dos clientes. Segundo o banco, a taxa mínima agora é de 13,6% ao ano, mais TR.
- Itaú Unibanco: a taxa mínima subiu de 11,99% para 12,95% ao ano, mais TR.
- Santander: os juros passaram de 11,69% para 12,49% ao ano, mais TR.
A TR é um índice utilizado na correção de determinados financiamentos imobiliários e pode elevar o custo total do empréstimo. As condições oferecidas variam de acordo com o perfil do cliente, o relacionamento com o banco e as características da operação. Nos grandes bancos, as menores taxas costumam ser reservadas aos clientes de alta renda.
Em nota, o Bradesco informou que atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário em razão do aumento dos juros no mercado. O Itaú explicou que os financiamentos dependem de recursos captados no mercado financeiro e, por isso, acompanham as oscilações dos juros futuros. Segundo a instituição, o reajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações.
Bancos concentram mais da metade do crédito imobiliário
Os três bancos têm participação importante no mercado de financiamento habitacional brasileiro. De janeiro a setembro de 2026, Bradesco, Itaú e Santander concederam juntos R$ 58,2 bilhões em financiamentos para a compra de imóveis, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O valor representa mais da metade dos R$ 105,1 bilhões financiados no período. Em número de imóveis, os três bancos responderam por aproximadamente 111 mil das 252,6 mil unidades financiadas, o equivalente a 44% do total.
Caixa pode influenciar próximos reajustes
A Caixa Econômica Federal, maior instituição do país no financiamento habitacional, ainda não reajustou suas taxas e não informou se pretende fazer mudanças. O banco público concentra 42% do volume financeiro emprestado para a compra de imóveis e 52% das unidades financiadas no acumulado do ano.
A possibilidade de perder clientes para a Caixa também pode levar os bancos privados a rever suas taxas. O Banco do Brasil não comentou o assunto por estar em período de silêncio anterior à divulgação de resultados.