A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo avanço das exportações e da produção industrial, apesar da fraqueza do consumo interno e da queda dos investimentos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Departamento Nacional de Estatísticas do país. Na comparação com o segundo trimestre, entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 1,2%.
O resultado representa uma aceleração em relação ao segundo trimestre, quando a economia cresceu 4,3% na comparação anual. Com isso, a China segue no caminho para alcançar a meta oficial de crescimento de 4,5% a 5% em 2026.
Apesar dos números positivos, economistas ocidentais questionam a confiabilidade das estatísticas oficiais chinesas. Segundo o New York Times, estimativas independentes têm apontado um crescimento equivalente a apenas metade ou dois terços do divulgado pelo governo. A desconfiança também está relacionada à redução da divulgação de dados que permitiriam verificar os indicadores econômicos do país.
Exportações avançam, mas consumo interno continua fraco
O comércio exterior foi um dos principais motores da economia chinesa no terceiro trimestre. Em setembro, as exportações cresceram 36,3% em relação ao mesmo mês de 2025, o maior avanço anual desde julho de 2010, desconsiderados os períodos afetados pelas comemorações do Ano-Novo Lunar.
A produção industrial também apresentou expansão, com alta de 5,5% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Parte desse desempenho está associada à demanda externa por produtos fabricados na China. Entre os setores beneficiados está o de equipamentos e estruturas utilizados na construção de centros de processamento de dados, impulsionado pela expansão global desse mercado, inclusive nos Estados Unidos.
O desempenho do mercado interno, por outro lado, permanece limitado. As vendas no varejo cresceram apenas 1,1% em setembro, enquanto os investimentos em infraestrutura recuaram. A prolongada crise imobiliária é um dos fatores que ajudam a explicar a fraqueza do consumo. A queda dos preços dos imóveis reduziu o patrimônio de famílias chinesas e aumentou a cautela na hora de gastar.
Governo deve manter cautela com novos estímulos
Mesmo com o avanço das exportações, o governo chinês mantém uma política de apoio aos fabricantes, incluindo incentivos fiscais que somam mais de US$ 300 bilhões por ano. Os benefícios ajudam a sustentar a competitividade de empresas de diferentes setores, como o têxtil.
Pequim também resiste a permitir uma valorização mais expressiva da moeda chinesa, que poderia reduzir a competitividade dos produtos do país no mercado internacional. Segundo economistas da Bloomberg Economics, as autoridades devem evitar novas medidas de estímulo, diante da expectativa de que a meta de crescimento de 2026 seja alcançada.
A perspectiva é que o consumo interno continue sendo um desafio em 2027. Com isso, a atenção do governo deve se voltar cada vez mais para a definição das próximas políticas econômicas.