O Bitcoin encerra o primeiro semestre de 2026 como o ativo de pior desempenho entre os principais investimentos acompanhados pelo mercado. A criptomoeda acumula desvalorização superior a 30% entre janeiro e junho, superando as perdas registradas por outros ativos, como o euro, que recuou 8,4% no período.
Enquanto isso, o Ibovespa avançou 7,5%, o CDI acumulou rendimento de 6,73% e o petróleo WTI subiu mais de 20%, impulsionado pelo alívio das tensões no Oriente Médio.
Após atingir a máxima histórica de cerca de US$ 126 mil em outubro de 2025, o Bitcoin entrou em uma sequência de quedas que resultou em três trimestres consecutivos de perdas. No primeiro trimestre deste ano, a desvalorização foi de cerca de 22%, seguida por nova queda de aproximadamente 12% entre abril e junho.
Entre os principais fatores apontados para a queda está a mudança na política monetária dos Estados Unidos. A manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve reduziu o interesse dos investidores por ativos considerados mais arriscados, como as criptomoedas, e aumentou a atratividade dos títulos do Tesouro americano.
Outro fator foi a migração de recursos para ações ligadas aos setores de inteligência artificial e semicondutores. Com isso, os ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos registraram fortes resgates, obrigando os fundos a vender parte dos ativos no mercado e pressionando ainda mais as cotações.
Também pesou sobre o mercado a crise da Strategy, empresa conhecida por manter uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo. A companhia viu suas ações perderem grande parte do valor desde o pico registrado em 2024 e anunciou mudanças na estratégia financeira, incluindo a possibilidade de vender parte dos bitcoins para reforçar o caixa.
Apesar da forte correção, não há consenso sobre os próximos movimentos da criptomoeda. Parte do mercado avalia que ainda há espaço para novas quedas, especialmente se o Bitcoin não conseguir recuperar o patamar de US$ 60 mil. Nesse cenário, as próximas regiões de suporte estariam entre US$ 54 mil e US$ 55 mil, com possibilidade de recuo até US$ 50 mil.
Por outro lado, alguns analistas avaliam que a participação crescente de investidores institucionais torna improvável uma queda semelhante às observadas em ciclos anteriores, quando o Bitcoin chegou a perder cerca de 80% do valor. A expectativa é de que a recuperação do mercado dependa principalmente da trajetória da inflação e dos juros nos Estados Unidos, além do avanço da regulamentação do setor no Congresso americano.