As exportações brasileiras para a Argentina caíram 18,1% nos últimos 12 meses, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Mesmo com a retração, o país vizinho continua sendo o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos.
O recuo ocorre em meio às frequentes divergências políticas entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente argentino Javier Milei. No entanto, especialistas afirmam que a queda nas vendas tem origem principalmente em fatores econômicos e na crescente concorrência da China.
Em junho, o Brasil exportou US$ 1,3 bilhão para a Argentina, ante US$ 1,6 bilhão registrados no mesmo mês do ano anterior. Com isso, a participação do país vizinho nas exportações brasileiras caiu de 5,6% para 3,7% no período. Na direção oposta, as importações brasileiras de produtos argentinos cresceram 3,8%, impulsionadas principalmente pelo setor automotivo.
China amplia concorrência
Especialistas avaliam que a China vem ocupando espaços tradicionais do Brasil no mercado argentino, especialmente no segmento de veículos e máquinas.
Além da competitividade dos produtos chineses, o avanço dos carros elétricos alterou a dinâmica da indústria automotiva, reduzindo a participação de fabricantes brasileiros nas exportações para o país vizinho.
Mercado estratégico para produtos industrializados
Apesar da queda nas exportações, a Argentina continua sendo um mercado considerado estratégico para a indústria brasileira. Grande parte das vendas ao país é composta por produtos manufaturados, como veículos, autopeças, máquinas e equipamentos elétricos — bens de maior valor agregado e mais sensíveis à concorrência internacional.
Especialistas alertam que preservar mercados como o argentino e ampliar o acesso ao mercado europeu, após o acordo entre Mercosul e União Europeia, será fundamental para compensar as dificuldades enfrentadas pelas exportações brasileiras em outros destinos.
Segundo analistas, o comércio entre Brasil e Argentina historicamente apresenta forte volatilidade, influenciado pelas crises econômicas argentinas, pela taxa de câmbio e pelas mudanças no cenário internacional. Ainda assim, os dois países seguem integrados, principalmente pela cadeia automotiva, considerada uma das principais bases da relação comercial entre os dois mercados.