Os bilionários do setor de tecnologia vivem um ano excepcional. As cerca de 100 fortunas ligadas à tecnologia entre as 500 pessoas mais ricas do mundo acumularam US$ 845 bilhões (R$ 4,4 trilhões) até 30 de setembro, o maior ganho já registrado nos primeiros nove meses de um ano, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
O avanço é impulsionado principalmente pelo boom da inteligência artificial e pela valorização das ações de tecnologia, especialmente nos Estados Unidos. Juntos, os bilionários do setor de tecnologia agora concentram US$ 4,6 trilhões (R$ 23,9 trilhões), o equivalente a 36% da riqueza total dos integrantes do índice.
A diferença em relação aos demais setores é expressiva. Bilionários que fizeram fortuna fora da tecnologia perderam, juntos, US$ 62 bilhões (R$ 323 bilhões) no período. Já os americanos responderam por 94% do ganho líquido do índice. Desde 10 de setembro, as dez pessoas mais ricas do mundo são americanas — algo inédito desde o início do levantamento da Bloomberg, em 2012. Nove delas construíram suas fortunas principalmente em empresas americanas de tecnologia.
Musk concentra parte dos ganhos
Elon Musk lidera a corrida. O empresário acrescentou US$ 310 bilhões (R$ 1,6 trilhão) à fortuna neste ano até o fim de setembro, cerca de 40% de todo o aumento registrado pelo índice.
Michael Dell também teve forte valorização. O fundador da Dell Technologies viu seu patrimônio crescer 81%, para US$ 254 bilhões (R$ 1,3 trilhão), impulsionado pelo avanço das vendas de equipamentos para data centers.
Mark Zuckerberg adicionou US$ 23 bilhões (R$ 120 bilhões) à fortuna. As ações da Meta subiram 27% em setembro, após o lançamento de um novo assistente de inteligência artificial.
IA cria novos bilionários
O boom da inteligência artificial também está criando novas fortunas. Os sete cofundadores da Anthropic entraram para a lista de bilionários após uma rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 965 bilhões (R$ 5 trilhões).
Na Ásia, empresários ligados à fabricação de chips, equipamentos para data centers e componentes eletrônicos também passaram a integrar o índice. Entre os novos nomes estão fundadores e executivos de empresas de Taiwan, China e Coreia do Sul.
O avanço da tecnologia, portanto, não beneficia apenas os donos das grandes empresas de IA. A valorização se espalha pela cadeia de infraestrutura, que inclui chips, servidores, sistemas de armazenamento e componentes utilizados nos data centers.
No acumulado até 30 de setembro, a tecnologia lidera com folga a geração de riqueza entre os bilionários: foram US$ 845 bilhões, contra US$ 267 bilhões em finanças, US$ 65 bilhões em indústria, US$ 24 bilhões em energia e US$ 3 bilhões em materiais.