Os juros futuros caíram após o primeiro turno das eleições, movimento que favoreceu os preços dos títulos prefixados do Tesouro Direto. A reação do mercado refletiu a expectativa de mudanças na política econômica em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Nos últimos dias, porém, parte da queda foi revertida, em meio à disputa acirrada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A taxa do contrato de juros futuros com vencimento em janeiro de 2031 passou de 13,92% em 2 de outubro para 12,25% no dia 9. Na sexta-feira (16), voltou a subir e chegou a 12,78%. A oscilação mostra que as expectativas para o resultado do segundo turno, marcado para domingo (25), continuam influenciando as decisões dos investidores. Além do cenário eleitoral, a trajetória dos juros dependerá das perspectivas para a inflação, da política monetária e das medidas que o próximo governo adotar para administrar as contas públicas.
Expectativa de ajuste fiscal influencia o mercado
A queda dos juros futuros foi associada, em parte, à avaliação de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir espaço para mudanças na política fiscal, com medidas para conter o crescimento das despesas públicas.
No entanto, a redução das taxas não significa que o mercado já tenha certeza sobre o resultado da eleição ou sobre a adoção de um ajuste fiscal. Os juros também são influenciados por fatores externos e por questões técnicas do próprio mercado.
As projeções para a taxa Selic em 2027 também recuaram após o primeiro turno, passando de cerca de 13,5% para 12,5%. A mudança indica uma revisão das expectativas para os juros no médio prazo, mas não representa uma decisão do Banco Central.
Se o próximo governo apresentar medidas consideradas consistentes para controlar os gastos públicos, as taxas futuras poderão cair mais. Caso as medidas fiquem abaixo das expectativas dos investidores, parte da queda recente poderá ser revertida.
O resultado eleitoral, portanto, é apenas uma das variáveis que devem orientar o mercado. As condições da economia internacional e a condução da política monetária também podem alterar esse cenário.
Como o resultado da eleição pode afetar os juros
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, acompanhada de um plano fiscal considerado confiável pelo mercado, poderia abrir espaço para uma nova queda dos juros futuros. Algumas projeções citadas por analistas apontam para taxas entre 11% e 12% no contrato com vencimento em janeiro de 2031.
Esse movimento, porém, não é garantido. Se o governo não apresentar medidas concretas para melhorar as contas públicas, os juros poderão voltar a subir, com possibilidade de retorno à faixa entre 13% e 13,5%.
Em caso de reeleição de Lula, parte dos investidores que apostaram em uma mudança de governo poderá rever suas posições. Isso poderia pressionar os juros futuros, o dólar e o mercado de ações. A intensidade da reação dependerá, entre outros fatores, dos sinais dados pelo governo sobre a política econômica.
As projeções são cenários possíveis, não previsões certas. O comportamento dos ativos também dependerá das condições externas e das decisões econômicas tomadas depois da eleição.
O que isso significa para quem investe no Tesouro Direto
Os títulos prefixados oferecem uma taxa de remuneração definida no momento da compra para quem mantém o investimento até o vencimento. Antes disso, porém, seus preços variam conforme as condições do mercado.
Quando os juros futuros caem, os títulos prefixados já emitidos tendem a se valorizar. Quem vende o papel antes do vencimento pode obter um ganho com essa valorização. Quando as taxas sobem, ocorre o contrário: os preços dos títulos tendem a cair, e a venda antecipada pode resultar em prejuízo.
Por isso, a recente queda dos juros abriu uma oportunidade de valorização para quem já tinha esses papéis na carteira. Para quem pretende investir agora, o resultado dependerá da direção dos juros daqui para a frente.
Prefixados, Tesouro IPCA+ ou pós-fixados?
A escolha depende do prazo do investimento, da necessidade de acesso ao dinheiro e da disposição para assumir oscilações de preço.
- Prefixados: podem se valorizar se os juros caírem, mas estão sujeitos a perdas no caso de venda antecipada em um cenário de alta das taxas.
- Tesouro IPCA+: combina uma taxa fixa com a variação da inflação. Pode ser uma opção para objetivos de longo prazo, mas também sofre oscilações de preço antes do vencimento.
- Pós-fixados, como o Tesouro Selic: acompanham a taxa básica de juros e, em geral, apresentam menor volatilidade de preço. A remuneração, porém, acompanha as mudanças da Selic.
Manter um título até o vencimento reduz a importância das oscilações intermediárias de preço para o resultado contratado, desde que sejam respeitadas as condições do papel. Ainda assim, é importante considerar o prazo e evitar investir recursos que possam ser necessários antes do vencimento.
A queda recente dos juros não garante novos ganhos. Para os investidores, a decisão exige avaliar se o retorno oferecido compensa os riscos e se o título é adequado aos objetivos financeiros. O cenário eleitoral pode influenciar os preços no curto prazo, mas a trajetória dos juros dependerá também das decisões econômicas do próximo governo e das condições da economia brasileira e internacional.