As contas do setor público registraram déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O déficit representa uma melhora em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 17,5 bilhões. O resultado considera as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, mas não inclui o pagamento dos juros da dívida pública.
Em setembro, o governo federal registrou superávit de R$ 3,5 bilhões. Já estados e municípios tiveram déficit de R$ 5,6 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram resultado negativo de R$ 3,4 bilhões.
Déficit chega a R$ 94,3 bilhões no ano
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as contas públicas registraram déficit primário de R$ 94,3 bilhões, o equivalente a 0,93% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado representa uma piora em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 79,2 bilhões, ou 0,84% do PIB.
A meta fiscal para 2026 prevê déficit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Com isso, o governo poderá cumprir formalmente o objetivo mesmo que registre déficit de até 0,5% do PIB. Além disso, a regra permite excluir determinadas despesas do cálculo, como parte dos gastos com precatórios.
Déficit nominal chega a R$ 113 bilhões em setembro
Quando são incluídos os juros da dívida pública, o resultado das contas do setor público, chamado de déficit nominal, ficou negativo em R$ 113 bilhões em setembro. No acumulado de 12 meses até setembro, o déficit nominal chegou a R$ 1,28 trilhão, o equivalente a 9,51% do PIB. Nesse período, as despesas com juros somaram R$ 1,2 trilhão, ou 8,99% do PIB.
O resultado nominal é acompanhado por investidores e agências de classificação de risco, pois ajuda a avaliar a situação fiscal e a capacidade de pagamento de um país.
Dívida pública permanece em 82,9% do PIB
A dívida bruta do setor público consolidado ficou em 82,9% do PIB em setembro, o equivalente a R$ 11,11 trilhões. O percentual permaneceu estável em relação ao mês anterior. Esse é o maior patamar desde março de 2021, quando a dívida chegou a 85,1% do PIB. Desde o início do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o indicador avançou 11,2 pontos percentuais.
Pelo conceito utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui os títulos públicos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira chegou a 95,2% do PIB em setembro. Nesse critério, o endividamento do Brasil supera o de outros grupos de países emergentes e da América Latina, além de ficar acima da média da Zona do Euro.
Governo busca conter avanço do endividamento
Para controlar o crescimento da dívida, o governo aprovou em 2023 o novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos. A regra estabelece limites para o crescimento das despesas públicas, vinculados à evolução das receitas. No entanto, parte dos gastos fica fora dos limites previstos pelo mecanismo e continua pressionando as contas públicas.
Analistas defendem medidas mais robustas de contenção de despesas para frear o endividamento e abrir espaço para a redução dos juros. Diante da trajetória de crescimento da dívida, a equipe econômica também discute novas medidas para conter sua expansão a partir de 2027, quando começa o próximo mandato presidencial.