A Rússia prorrogou até o fim de outubro a proibição da maior parte das exportações de diesel, ampliando a pressão sobre a oferta global do combustível às vésperas do inverno no Hemisfério Norte. O movimento ocorre enquanto os Estados Unidos também avaliam restringir as vendas do produto ao exterior.
Moscou adotou as restrições em julho, após uma série de ataques ucranianos atingir refinarias russas e reduzir o processamento de petróleo no país. Inicialmente temporária, a medida foi prorrogada sucessivamente diante da continuidade dos ataques. Segundo o governo russo, a decisão busca garantir a estabilidade do mercado doméstico, em um período de maior demanda por combustíveis durante a temporada de colheita. A Rússia também estendeu até o fim de outubro as restrições às exportações da maior parte do óleo combustível marítimo e dos gasóleos.
Antes das limitações e da intensificação dos ataques às refinarias, o país respondia por cerca de 10% da oferta mundial de diesel transportado por via marítima. A redução das exportações russas ocorre em um cenário de menor fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. A combinação tem pressionado os preços internacionais do diesel, utilizado no transporte, na agricultura e na indústria.
EUA avaliam restringir exportações
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou no domingo que avalia “muito seriamente” restringir as exportações de diesel, diante da alta dos preços no mercado americano.
Segundo o Financial Times, assessores apresentaram ao presidente alternativas que incluem limitações às vendas internacionais. Países aliados, como o Reino Unido, também teriam sido informados sobre possíveis impactos no fornecimento.
A possibilidade, porém, divide aliados do governo e representantes da indústria. Enquanto republicanos pressionam por medidas para reduzir os preços domésticos antes das eleições parlamentares, empresas do setor de petróleo se posicionam contra restrições às exportações.
Um eventual bloqueio das vendas americanas poderia aumentar ainda mais a pressão sobre o mercado internacional. Estudo da Oxford Economics e do Goldman Sachs estima que os preços do diesel na Europa poderiam subir até 50% caso os Estados Unidos suspendessem as exportações.