O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da gestora Reag. A instituição é considerada peça central para entender a suposta fraude em que o Banco Master, de Daniel Vorcardo, está envolvido.
De acordo com ranking de patrimônio líquido da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbim), a Reag aparece como a oitava na lista de instituições financeiras e assets do país, com um total de investimentos de R$ 325 bilhões.
A companhia estreou na Bolsa em janeiro deste ano por meio da aquisição do controle da Getninjas e uma sequência de eventos societários que culminaram no que é chamado de “IPO reverso”, ou “barriga de aluguel”, quando uma empresa, em vez de recorrer a uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), opta por adquirir uma companhia que já tem as ações negociadas no pregão.
Com as investigações sobre as relações econômicas do PCC e sobre a supostas fraude do Banco Master, a gestora deixou de ser tema de conversa apenas entre investidores e operadores da Faria Lima e ganhou notoriedade nas investigações policiais e de procuradores.
Reag e o Master
A relação da Reag com o Master se dava por meio dos fundos administrados por ela. Segundo investigação do Ministério Público Federal, o banco concedia empréstimos para algumas empresas que não pagavam as parcelas, gerando assim uma receita somente no papel.
O valor dessas operações de crédito era repassado em poucos minutos, em operações-relâmpago, quase integralmente a fundos administrados pela Reag, que simulavam uma rentabilidade irreal.
Os fundos eram compostos por papéis de baixo valor. A cada injeção de recursos, os ativos eram reavaliados. Ao fim do processo, registrava-se no papel uma escalada de “ganhos imaginários”. Em uma dessas operações, revelada pelo GLOBO, a valorização somou ao fim 10.502.205%, um patamar que não encontra respaldo na realidade.
Ao final, o dinheiro voltava para o próprio Master por meio da aquisição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal forma de captação do banco no mercado.
Reag e o PCC
A Reag também entrou na mira da Operação Carbono Oculto, realizada em setembro do ano passado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para apurar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao menos três fundos administrados pela Reag que fizeram negócios com o Master também constam da lista de investigados na Operação Carbono Oculto. Dentre eles, estão o Hans 95, Reag Growth e Anna FIC, que também realizavam repasses relâmpagos.
A gestora de recursos nega qualquer irregularidade e tem enfatizado que a associação “não consta de nenhum documento oficial, de nenhuma denúncia, relatório de análise ou manifestação das autoridades competentes”.