O Ministério da Agricultura informou que o Brasil atingiu 100% da cota de exportação de carne bovina para a China. A indústria, porém, já considerava o limite esgotado desde o início de julho, levando em conta cargas embarcadas e em trânsito.
A diferença está no momento em que os produtos chegam à China e são contabilizados pelo governo chinês. Em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina já haviam recuado 19,5%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, o fim da cota teve impacto significativo sobre o setor. Entre julho e setembro, os embarques para a China caíram cerca de 90%.
Negociações para 2027
As negociações para o próximo ano devem ganhar força a partir de outubro. Como o transporte até a China pode levar de 30 a 60 dias, cargas embarcadas a partir de agora podem ser contabilizadas na cota de 2027.
Segundo Felippe Fabri, coordenador de inteligência da Scot Consultoria, já existem negociações para o próximo ano, mas os embarques ainda não começaram. A preocupação do setor é que a cota de 2027 possa acabar rapidamente. Segundo Perosa, se o Brasil mantiver a média mensal de exportações para a China, o limite poderia ser atingido já em março ou, no máximo, abril.
A Abiec defende que o governo brasileiro distribua os volumes entre os frigoríficos ao longo do ano, levando em conta a participação de cada empresa no mercado e o histórico de exportações. A proposta busca evitar uma concentração dos embarques nos primeiros meses de 2027 e reduzir o risco de um novo esgotamento antecipado da cota.