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Trump estuda facilitar importação de carne nos EUA: veja o que empresas brasileiras podem ganhar com isso

O governo de Donald Trump estuda flexibilizar temporariamente as importações de carne bovina nos Estados Unidos. A medida teria duração de 200 dias, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal The Wall Street Journal.

A iniciativa ocorre em meio à alta dos preços da carne no mercado americano. Segundo relatório de analistas do banco Citi no Brasil, a carne moída acumula aumento de 40% nos últimos cinco anos nos EUA, o que tem pressionado a inflação de alimentos no país.

Empresas brasileiras do setor, como Minerva Foods, MBRF e JBS, podem ser beneficiadas pela mudança. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda externa pode pressionar os preços da carne no mercado brasileiro.

Analistas apontam que companhias com maior foco em exportação tendem a ganhar mais com a possível abertura do mercado americano. No pregão da B3 desta terça-feira, as ações da Minerva avançaram 4,63%, enquanto os papéis de MBRF e JBS recuaram.

Os Estados Unidos lideraram a produção mundial de carne bovina desde os anos 1960, segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), mas o país passou a ampliar as importações nos últimos anos diante da redução do rebanho bovino, atualmente no menor nível em 75 anos. Com isso, os EUA passaram a depender mais do mercado externo para atender o consumo doméstico.

Atualmente, os Estados Unidos limitam as importações por meio de cotas. Até determinado volume, os países exportadores pagam tarifas reduzidas. Acima desse limite, incide uma taxa superior a 26%.

O Brasil integra a categoria de “outros países”, com uma cota anual de 65 mil toneladas. Mesmo assim, diante da escassez no mercado americano, o país já vinha exportando acima desse limite. Em 2024, as vendas brasileiras de carnes congeladas, frescas e resfriadas para os EUA somaram 126 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Nos quatro primeiros meses deste ano, o mesmo volume já havia sido alcançado.

A possível flexibilização americana também surge em um momento de restrições impostas pela China, principal destino da carne bovina brasileira. Pequim anunciou no fim do ano passado uma política de cotas para proteger os produtores locais.

Com isso, parte da carne que teria como destino o mercado chinês poderá ser redirecionada aos Estados Unidos, reduzindo a oferta disponível no mercado interno brasileiro e limitando uma eventual queda de preços no país.

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