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Crise Argentina: governo anuncia novas medidas para conter demanda por dólares

O Banco Central da Argentina (BCRA) anunciou novas medidas para conter a demanda por dólares. Por meio de dois comunicados, a autoridade monetária decidiu limitar a posse de moeda estrangeira de todos os ativos para os bancos e, ao mesmo tempo, estabeleceu novos regulamentos para as importações.

O comunicado emitido pelo BC argentino estabelece que os bancos não podem ter mais dólares do que tinham até esta sexta-feira, 13 de outubro.

Se hoje o banco tivesse reduzido a posição líquida global de moeda estrangeira, só poderia cobri-la com o Lediv [letras em dólares liquidáveis em pesos à taxa de câmbio oficial]. O comunicado 7863 do Banco Central estabelece um limite para os depósitos de dólares dos bancos. Eles não podem aumentá-los em relação a ontem. Eles devem completá-la com títulos em pesos ajustáveis pela taxa de câmbio – informaram fontes bancárias a um jornal argentino

O Lediv é um instrumento lançado pelo BC argentino em 26 de maio e foi inicialmente projetado para captar mais dólares das empresas de energia. São letras internas da autoridade monetária com as quais procurou criar uma alternativa para descomprimir a demanda por dólares. Elas são intransferíveis e podem ser subscritas por entidades financeiras que tenham em sua carteira depósitos com taxas de juros variáveis calculadas de acordo com o valor do dólar no atacado.

O outro comunicado, por sua vez, estabelece que todos os entes públicos, incluindo empresas e órgãos, também devem solicitar autorizações ao Sistema de Importaciones de la República Argentina y Pagos de Servicios ao Exterior (Sirase) para efetuar pagamentos de serviços no exterior, enquanto anteriormente estavam isentos.

Crise do dólar na Argentina

Até o momento, em outubro, o Banco Central vendeu US$ 721 milhões no mercado de câmbio. Se forem adicionados os dólares que ele também perdeu em intervenções no mercado secundário de títulos para tentar controlar as taxas de câmbio financeiras, a perda de reservas ultrapassa US$ 1,4 bilhão em apenas 12 dias.

A Argentina vive uma grave crise econômica e financeira, que vem se agravando às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para o dia 22 deste mês. Nesta semana, o dólar paralelo, que é vendido em pontos informais chamados cuevas— superou a marca de mil pesos.

A desvalorização contribui para a alta dos preços. Em 12 meses, a inflação alcançou 138,3%. A alta de setembro veio acima das projeções e manteve o indicador do país no mais elevado patamar desde fevereiro de 1991, quando a inflação bateu 27%. Em agosto, o índice havia subido 12,4%.nco Central da Argentina anuncia novas medidas para conter demanda por dólares.

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