A prévia da inflação oficial do país desacelerou em junho, mas continua acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,41% no mês, após avançar 0,62% em maio, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da desaceleração mensal, o índice acumulado em 12 meses avançou para 4,80%, acima dos 4,64% registrados em maio e próximo ao limite superior da meta de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
A alta dos preços foi puxada principalmente pelos grupos de alimentação e bebidas e habitação, que juntos responderam por cerca de dois terços do resultado do mês. Entre os itens com maior impacto individual, a energia elétrica residencial apresentou alta de 2,04%. O avanço reflete a adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta cobrança extra na conta de luz, além de reajustes tarifários em algumas regiões pesquisadas pelo IBGE.
No grupo alimentação, houve desaceleração da inflação dos produtos consumidos em casa, que passou de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Mesmo assim, itens básicos da mesa dos brasileiros continuaram registrando aumentos expressivos. A batata-inglesa liderou as altas, com avanço de 29,42%, seguida pelo tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%).
No acumulado do primeiro semestre, alguns alimentos tiveram aumentos superiores a 100%. O tomate subiu 103,84%, a cenoura avançou 103,10% e a batata-inglesa acumulou alta de 100,20%. Em contrapartida, o café moído apresentou queda de 3,69%, enquanto as frutas recuaram 0,96% no período.
Outro grupo que pressionou a inflação foi o de saúde e cuidados pessoais. Os artigos de higiene pessoal ficaram 1,03% mais caros, enquanto os planos de saúde registraram aumento de 0,35%, refletindo reajustes autorizados para o setor.
No segmento de transportes, a principal alta veio das passagens aéreas, que subiram 7,24% em junho. Por outro lado, a queda dos combustíveis ajudou a conter uma inflação ainda maior. A gasolina recuou 0,73%, o etanol caiu 5,30% e o conjunto dos combustíveis registrou redução média de 1,22%.
O resultado reforça o cenário de cautela para a política monetária. Embora a inflação mensal tenha perdido força, as projeções para os próximos meses continuam elevadas. O mercado financeiro já estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrará 2026 em 5,33%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. No entanto, a persistência das pressões inflacionárias tem levado analistas a revisar suas expectativas para os juros, reduzindo as apostas em cortes mais intensos ao longo do segundo semestre.