O Rio Negro, no Amazonas, atingiu seu menor nível em 121 anos de medições. Sem navegabilidade nos rios, comunidades ribeirinhas ficam isoladas, o frete encarece, e faltam suprimentos, inclusive alimentos aos mais isolados.
Além disso, as indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus — que concentra boa parte da produção nacional de TVs, micro-ondas, ar-condicionado e lava-louças — têm dificuldades tanto para receber componentes quanto para mandar os produtos acabados para o resto do país.
Apesar da crise, a logística das empresas instaladas nessa região está se saindo melhor do que no ano passado. O Cieam, entidade que representa a indústria do Amazonas, espera que, neste ano, o prejuízo com as restrições ao transporte seja de R$ 500 milhões, quase um terço do R$ 1,4 bilhão estimado para 2023.
A preparação para enfrentar a estiagem, com a antecipação do transporte de mercadorias — tanto na chegada de insumos quanto no envio dos produtos para o resto do país — e a construção de cais temporários no Rio Amazonas, está evitando o pior, disseram executivos e especialistas.
Com 2 milhões de habitantes e no meio da Amazônia, Manaus depende dos rios para o transporte. Na seca passada — sempre de agosto a dezembro —, navios de carga ficaram em torno de 45 dias sem conseguir chegar a Manaus.
‘Operação Itacoatiara’ minimiza prejuízos
A Operação Itacoatiara, como foram batizados os dois projetos de píeres flutuantes temporários construídos na cidade que fica a 270 quilômetros por terra a leste de Manaus, está funcionando há cerca de um mês.
As iniciativas são do Grupo Chibatão e pelo Super Terminais, operadores de terminais de contêineres que atendem ao polo industrial da Zona Franca, com apoio do Cieam e de órgãos dos governos estadual e federal.
Os cais ficam no meio do Rio Amazonas, antes de chegar a Manaus para quem navega subindo contra a correnteza, num ponto onde a profundidade, mesmo na seca, permite a navegação dos cargueiros.
Nas estruturas temporárias, os navios atracam de um lado, e os contêineres são transferidos para as balsas, atracadas do outro lado. O percurso até Manaus leva mais de 12 a 18 horas.