O presidente Jair Bolsonaro afirmou que 27 navios russos estão a caminho do Brasil com fertilizantes. Apesar disso, economistas estão preocupados com o cenário do agronegócio brasileiro. A programação de navios mostra que novos volumes de fertilizante vindos da Rússia caíram 58% nas últimas quatro semanas, em comparação com o período anterior. Tanto a Rússia quanto a Bielorrússia, que respondem por quase um terço das importações de fertilizantes do Brasil, estão sob sanções de países ocidentais por causa da invasão da Ucrânia.
Segundo economistas, a queda nas importações podem representar um risco para o fornecimento de fertilizantes no segundo semestre do ano. A avaliação é de que o tempo está se esgotando para obter a quantidade de insumo necessário para plantar, em setembro, a safra de soja do Brasil, que historicamente é a maior do mundo.
Um impacto na safra brasileira terá repercussões globais. A soja brasileira é usada em tudo, desde óleo de cozinha a ração animal, e um déficit de fertilizantes pode resultar em uma produção menor do produto. A escassez da soja pode impactar toda a economia. Inevitavelmente a baixa produção vai elevar o preço, e o aumento do preço da soja pode repercutir em todas as cadeias mundiais de abastecimento de alimentos e exacerbar a inflação.