É muito difícil apontar hoje quem sairá vitorioso das eleições de 5 de novembro nos Estados Unidos. A maior certeza é que as relações entre Brasil e Estados Unidos, já historicamente sólidas e consolidadas, não devem mudar significativamente, seja vencedor o republicano Donald Trump ou a democrata Kamala Harris.
Especialistas apontam que o principal problema dos Estados Unidos é a dívida crescente. Desde a pandemia, o país tem registrado um déficit fiscal ano após ano, e a relação dívida/PIB tem crescido.
A perspectiva de analistas é de continuidade do déficit fiscal nos próximos anos, com juros em patamares elevados. O Fed (Federal Reserve) começou a cortar os juros, mas, mas esse processo deve estabilizar com um juro ainda mais alto do que antes da pandemia.
Trump X Kamala
A preocupação do mercado é que o problema não está sendo enfrentado por nenhum dos dois candidatos a presidência dos Estados Unidos. Não há direcionamento de ambos para controlar os gastos públicos.
O receito com Trump é ainda maior, devido a uma possível agenda inflacionária, inclusive já demonstrada nesse tempo de campanha, com efeito nos juros futuros mais elevados, além do fortalecimento do dólar frente a outras moedas globais.
A política de prevenção de imigrantes entrarem no país, proposta de Trump, pressiona ainda mais os trabalhadores. Além disso, barreiras adicionais, principalmente de produtos da China, podem aumentar custos de importação de insumos e de produção.
Sobre possíveis ações de Kamala Harris, está o aumento de impostos. Mas, sengo especialistas, esse aumento de arrecadação não seria suficiente para compensar o aumento dos gastos, se traduzindo numa ‘rede elétrica’ do quadro fiscal”. A vitória da democrata poderia se refletir numa desvalorização global do dólar, com queda das taxas futuras.