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Eleição americana: Qual será o ‘efeito Trump’ no Brasil?

Não há dúvidas de que a vitória de Donald Trump no comando da maior economia dos mundo terá várias ondas de efeitos na economia mundial, sobretudo a brasileira. Os primeiros impactos devem ser percebidos no dólar (apesar da queda registrada um dia após a eleição americana) e nos juros futuros.

Com a perspectiva de um dólar mais alto, já se fala em impacto na inflação de produtos do dia a dia, o que levaria o Banco Central a elevar ainda mais a taxa básica de juros (Selic).

As relações comerciais entre Brasil e EUA também devem ser afetadas, com impacto na indústria da política protecionista prometida pelo presidente eleito. Integrantes do governo brasileiro avaliam que, diante de um cenário menos favorável para economias emergentes como a do Brasil, o freio no aumento das despesas se tornará ainda mais urgente, além do reforço na sustentabilidade do arcabouço fiscal e da dívida.

O Ministério da Fazenda espera a formação do governo de Trump para medir o tamanho dos impactos para o Brasil do retorno do republicano à Presidência dos EUA. Ele terá maioria no Senado e há perspectiva de alcançar o mesmo na Câmara.

Guerra tarifária

Especialistas apontam que a vitória do republicano traz a perspectiva de dólar mais alto, desvalorização de moedas de países emergentes e possível interrupção adiante da queda dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Juros mais altos nos EUA tendem a atrair capital para os títulos americanos, especialmente aquele que seria destinado a economias emergentes, como a do Brasil.

Durante a campanha, Trump também defendeu a redução da taxa de imposto de renda corporativa de 21% para 15%, e analistas esperam déficits fiscais crescentes.

Uma das maiores preocupações é com o “tarifaço” que Trump pretende impor nas importações, algo que atingiria em cheio o Brasil — os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, apenas atrás da China.

Para o médio e longo prazo, pode-se esperar novo capítulo da guerra tarifária com a China, com efeitos na corrente de comércio mundial e o encarecimento dos produtos comprados pelos americanos do exterior. O freio na imigração, promessa de campanha, tende a provocar alta da inflação devido à restrição de mão de obra em áreas como construção, restaurantes e saúde.

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