A ampliação das exportações de carne bovina da Argentina para os Estados Unidos, impulsionada por um acordo comercial entre os governos de Donald Trump e Javier Milei, está provocando impactos no mercado argentino. Enquanto os embarques para os EUA atingem níveis recordes, o preço da carne no mercado interno segue em alta e o consumo da proteína caiu ao menor patamar da história recente do país.
A estratégia americana busca ampliar a oferta de carne e conter a inflação dos alimentos antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. O acordo elevou de 20 mil para 100 mil toneladas a cota anual de carne bovina argentina que pode entrar nos Estados Unidos sem tarifas. Com a ampliação da cota, frigoríficos argentinos passaram a direcionar uma parcela maior da produção ao mercado americano, onde os preços pagos são superiores aos oferecidos pela China, tradicional principal destino das exportações do país.
Segundo dados da câmara do setor Ciccra, as exportações argentinas de carne bovina para os Estados Unidos cresceram 204% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado, alcançando preço médio de US$ 8,25 por quilo. No mesmo período, os embarques para a China recuaram 32%, com preço médio de US$ 6,24 por quilo. O aumento das exportações coincide com a forte valorização da carne na Argentina. Nos seis meses encerrados em março, os preços da carne bovina acumularam alta de 50%, enquanto os salários cresceram apenas 15% no período.
O resultado foi uma queda no consumo interno. Nos 12 meses encerrados em maio, o consumo médio de carne bovina caiu para 47,5 quilos por habitante, o menor nível em pelo menos duas décadas, segundo a Ciccra. Embora os argentinos continuem entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo, ao lado dos uruguaios, o avanço dos preços reduziu o poder de compra da população.