O iene atingiu nesta semana o menor valor frente ao dólar desde 1986, chegando a 161,96 ienes por dólar. A desvalorização supera o patamar registrado em julho de 2024, quando o governo japonês realizou intervenções no mercado para tentar conter a queda da moeda.
A fraqueza do iene ocorre apesar da alta dos juros promovida pelo Banco do Japão (BOJ), que elevou a taxa básica para 1% em junho, o maior nível desde 1995. Ainda assim, a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados nos Estados Unidos continua fortalecendo o dólar e pressionando a moeda japonesa.
A desvalorização beneficia empresas exportadoras e contribui para a valorização da bolsa japonesa, mas também encarece as importações de produtos cotados em dólar, como petróleo e gás natural. O aumento dos custos de importação pressiona a inflação e reduz o poder de compra da população.
O governo japonês acompanha a evolução do câmbio e mantém o mercado em alerta para uma nova intervenção. Entre o fim de abril e maio, as autoridades gastaram cerca de ¥ 11,73 trilhões (US$ 72,5 bilhões) para tentar sustentar o iene, em uma das maiores operações cambiais da história do país.
A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, já afirmou que o governo está preparado para adotar novas medidas caso identifique movimentos especulativos excessivos no mercado de câmbio. Segundo ela, Japão e Estados Unidos também vêm alinhando posições sobre a política cambial.
Especialistas apontam que o principal fator por trás da desvalorização é o amplo diferencial de juros entre Japão e Estados Unidos. Enquanto os rendimentos dos títulos americanos permanecem elevados, investidores seguem direcionando recursos para ativos denominados em dólar.
Além da política monetária, fatores estruturais como o envelhecimento da população, o baixo crescimento econômico e o elevado endividamento público também limitam a valorização da moeda japonesa e dificultam uma recuperação mais consistente do iene.