O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, pela quinta reunião consecutiva. A decisão já era esperada pela maior parte do mercado financeiro.
Apesar da manutenção, a votação mostrou uma divisão maior dentro da autoridade monetária. Três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros, enquanto nove votaram pela manutenção da taxa.
Em comunicado, o Fed afirmou que a economia americana continua crescendo em ritmo sólido, mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A instituição também destacou que a inflação segue acima da meta de 2% e reafirmou o compromisso de garantir a estabilidade de preços.
Petróleo e inflação pressionam cenário
Entre os fatores de preocupação do Fed estão a aceleração recente da inflação, a alta dos preços do petróleo provocada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e os impactos da demanda crescente por inteligência artificial sobre a economia.
O índice de inflação preferido pelo Fed, o PCE, chegou a 3,4% em maio na comparação anual. O dado referente a junho será divulgado nesta quinta-feira.
Impactos para o Brasil
A decisão do banco central americano influencia diretamente os mercados globais. Juros elevados nos Estados Unidos tornam os títulos do Tesouro americano mais atrativos, fortalecem o dólar e podem reduzir o fluxo de recursos para países emergentes.
Ao mesmo tempo, a diferença entre os juros americanos e a taxa Selic brasileira — atualmente em 14,25% ao ano — continua favorecendo operações conhecidas como carry trade, nas quais investidores captam recursos em países com juros menores para aplicar em mercados com rentabilidade mais elevada, como o Brasil.