Os preços do petróleo dispararam nesta quarta-feira (29) após uma nova escalada das tensões militares entre Estados Unidos e Irã aumentar as preocupações com a oferta global da commodity e a segurança das principais rotas de transporte de petróleo. Por volta do fim da manhã, o barril do Brent, referência internacional, subia 7,7% e era negociado acima de US$ 90. O WTI, referência do mercado americano, avançava 7,5%.
O movimento ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã sofreria uma resposta dura após ataques contra forças americanas na Jordânia. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou o lançamento de mísseis contra uma base aérea e um centro de comando dos EUA. Em seguida, veículos de imprensa iranianos relataram ataques americanos em território do país.
Mercado teme impacto na oferta
A valorização do petróleo reflete o receio de que o conflito comprometa o abastecimento global de energia. Investidores acompanham, principalmente, a situação no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo e gás.
Analistas avaliam que, enquanto persistirem os confrontos, empresas de transporte marítimo devem continuar evitando a região, elevando os custos logísticos e aumentando a pressão sobre os preços da commodity.
Reflexos no Brasil
A alta do petróleo também afetou os mercados brasileiros. O avanço da commodity elevou as preocupações com a inflação e pressionou os juros futuros. O movimento contribuiu para a queda do Ibovespa, especialmente das ações mais sensíveis às taxas de juros.
Na contramão, os papéis da Petrobras registraram alta, impulsionados pela valorização do petróleo no mercado internacional. O real também foi favorecido, já que o Brasil é exportador da commodity, contribuindo para uma leve queda do dólar frente ao real.
Atenção aos juros nos EUA
Nos Estados Unidos, a disparada do petróleo reforçou as preocupações de que a inflação permaneça elevada por mais tempo, justamente às vésperas da decisão do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa básica de juros.
O cenário elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e reduziu o apetite por ativos de risco, pressionando as bolsas de Nova York e aumentando as incertezas sobre os próximos passos da política monetária da maior economia do mundo.