A inflação voltou a acelerar em setembro após deflação (queda média de preços) em agosto. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo IBGE, subiu para 0,44%, depois de registrar -0,02% no mês anterior.
No ano, a inflação acumula alta 3,31% e, nos últimos 12 meses, 4,42%, bem próximo do teto da meta fixada pelo governo para este ano de 4,5%.
O resultado foi puxado, sobretudo, pelo aumento de energia elétrica e alimentos. Especialistas afirmam que as condições climáticas adversas estão afetando preços desses dois itens básicos. A conta de luz ficou 5,3% mais cara e respondeu por praticamente metade do índice do mês. Esse efeito deve se manter até o fim do ano e adicionar mais pressão ao orçamento das famílias.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que entrou em vigor a bandeira vermelha patamar 2 este mês, o que encarece ainda mais a conta de luz, que já tinha aumentado em setembro com a adoção da bandeira vermelha patamar 1. Já no caso dos alimentos, a seca tem prejudicado a produção agrícola e os pastos.
Combinados, esses efeitos devem fazer o IPCA estourar o teto da meta de inflação de 4,5%. Especialistas acreditam que a bandeira vermelha patamar 2, em vigor este mês, deve se manter até dezembro. Com os níveis dos reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste em torno de 44%, os próximos meses serão marcados por uma conta de energia mais cara devido ao uso das usinas térmicas, que são acionadas para poupar o volume de água das usinas hidrelétricas.
Já a alimentação no domicílio subiu 0,56% após dois meses de queda. Só as carnes aumentaram quase 3%, a maior alta desde dezembro de 2020. Algumas frutas, como laranja, limão e mamão, ficaram mais caras em setembro.
