Os preços do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira (27) após os Estados Unidos interromperem quase duas semanas de ataques diários contra alvos ligados ao Irã e com a retomada das operações de exportação de petróleo do Cazaquistão. A redução das tensões geopolíticas aliviou as preocupações com a oferta global da commodity e impulsionou os mercados financeiros.
O barril do Brent, referência internacional, chegou a cair mais de 9% durante as negociações em Londres, ficando abaixo dos US$ 88 após ter superado os US$ 100 na semana passada. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), era negociado a US$ 89,16, em queda de 7,87%. Nos Estados Unidos, o petróleo WTI recuava 6,91%, cotado a US$ 83,14 por barril.
Apesar da forte desvalorização do dia, os contratos futuros do petróleo ainda acumulam alta de cerca de 20% no mês, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio e os ataques dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, às rotas de exportação sauditas no Mar Vermelho.
Bolsas sobem com alívio no mercado
A queda do petróleo impulsionou os principais mercados acionários da Ásia e da Europa, enquanto os índices futuros de Wall Street também operavam em alta.
Ásia (fechamento)
- Japão: +0,50%
- Hong Kong: +0,98%
- Shenzhen: +1,15%
Europa
- Londres: +0,62%
- Paris: +1,00%
- Frankfurt: +1,69%
Futuros em Nova York
- S&P 500: +0,86%
- Nasdaq: +1,34%
- Dow Jones: +1,11%
Pausa nos ataques reduz temor sobre oferta
Após 13 noites consecutivas de bombardeios contra posições ligadas ao Irã, os Estados Unidos interromperam as operações militares desde o fim da última sexta-feira.
Ao mesmo tempo, Teerã evitou retaliar os ataques e iniciou conversas com Omã sobre a situação no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte de petróleo no mundo.
Outro fator que ajudou a aliviar as preocupações com a oferta foi a retomada do carregamento de petróleo no terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (Caspian Pipeline Consortium), na costa russa do Mar Negro. Nos últimos dias, a região havia sofrido interrupções após ataques de drones ucranianos, reduzindo o fluxo de exportações do petróleo cazaque para a Europa.
Para Saul Kavonic, analista sênior de energia da MST Marquee, a interrupção dos ataques e os avanços nas negociações aumentam a expectativa de redução das tensões e de normalização do abastecimento. Ele, no entanto, alerta que um eventual cessar-fogo ainda pode ser temporário.
Apesar do recuo das tensões entre Estados Unidos e Irã, os rebeldes houthis afirmaram ter atacado, no sábado, instalações da Saudi Aramco nas cidades de Jizan e Yanbu, no Mar Vermelho. As autoridades sauditas não confirmaram os ataques.
Yanbu tornou-se a principal rota de exportação de petróleo da Arábia Saudita após as restrições no Estreito de Ormuz, enquanto Jizan abriga uma refinaria e um terminal de embarque.
O tráfego marítimo continua reduzido nas principais rotas da região. Segundo dados da consultoria Kpler, apenas oito embarcações transportando commodities atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, número muito abaixo do padrão habitual, indicando que os armadores seguem cautelosos diante do risco de novos ataques.