Impulsionado por tensões geopolíticas e comerciais que levaram investidores a buscar ativos considerados seguros, o ouro alcançou o recorde de US$ 5.600 por onça em janeiro. Atualmente, o metal é negociado em torno de US$ 4.200 por onça, valor que representa quase o dobro da média registrada em 2024.
Com a cotação do ouro próxima de níveis históricos, relógios de luxo fabricados com o metal precioso estão sendo derretidos porque, em alguns casos, o valor do ouro contido nas peças já supera o preço obtido no mercado de revenda. De acordo com reportagem da Reuters, modelos de marcas como Omega e TAG Heuer, pertencente ao grupo LVMH, estão entre os mais afetados pelo fenômeno.
A tendência atinge principalmente relógios usados mais recentes e modelos vintage que não despertam grande interesse entre colecionadores. Especialistas destacam que marcas como Patek Philippe e Rolex costumam preservar melhor seu valor de mercado, já que a forte demanda e o rígido controle de produção fazem com que seus relógios sejam negociados por montantes muito superiores ao valor do ouro utilizado na fabricação.
Por outro lado, fabricantes como TAG Heuer, Breitling e Omega enfrentam maior dificuldade para sustentar preços elevados no mercado de usados. Como muitos desses modelos podem ser adquiridos por valores relativamente baixos, torna-se mais vantajoso, em determinadas situações, derretê-los para aproveitar o ouro.
Embora não existam estatísticas oficiais sobre a quantidade de relógios que vem sendo derretida, dados do Conselho Mundial do Ouro mostram que a reciclagem do metal cresceu 5% no primeiro trimestre deste ano, alcançando 366 toneladas. No mesmo período, a demanda global por joias de ouro avançou 31% em valor, totalizando US$ 47 bilhões. Com projeções indicando que o ouro pode atingir entre US$ 5.400 e US$ 6.300 por onça ainda neste ano, especialistas avaliam que a prática tende a continuar.