Integrantes do governo do presidente Lula avaliam que uma eventual negociação com os Estados Unidos sobre o tarifaço de 25% contra produtos brasileiros pode ocorrer apenas após as eleições presidenciais de outubro.
A avaliação feita por auxiliares do Planalto é que, caso as tarifas sejam implementadas, o governo de Donald Trump poderá esperar o resultado da disputa eleitoral antes de negociar as medidas. A percepção é de que os americanos consideram um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mais favorável às exigências de Washington do que uma nova gestão de Lula.
A expectativa ocorre às vésperas da decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que pode anunciar, a partir desta quarta-feira (15), novas medidas comerciais contra o Brasil.
Governo aguarda decisão dos EUA
No Palácio do Planalto, a orientação é aguardar o anúncio oficial do governo americano antes de definir qualquer reação. Auxiliares de Lula afirmam que será necessário analisar quais produtos serão atingidos e como as tarifas serão implementadas antes de discutir uma eventual resposta, incluindo a possibilidade de medidas de reciprocidade.
Segundo integrantes do governo, uma vitória de Lula representaria a manutenção da atual política comercial brasileira, sem concessões em temas considerados estratégicos, como o Pix e a tarifa de importação sobre o etanol americano.
Pedido de Flávio Bolsonaro
O tema ganhou novo capítulo após Flávio Bolsonaro enviar um documento ao USTR defendendo que a aplicação das tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras.
No texto, o senador afirma que uma sobretaxa imediata daria a Lula uma “vitória política” e argumenta que o cenário eleitoral poderá redefinir as condições para uma negociação entre os dois países.
A manifestação foi usada por Lula para criticar o adversário, afirmando que Flávio Bolsonaro pediu apenas o adiamento da medida, e não o cancelamento das tarifas.
Investigação dos EUA
O tarifaço foi proposto pelo USTR, órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos, após investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Entre os pontos questionados pelos americanos estão o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, que, segundo o relatório, favoreceria o Banco Central em relação a empresas privadas de meios de pagamento, e decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais e remoção de conteúdos em redes sociais. O governo brasileiro nega irregularidades e aguarda a decisão oficial dos Estados Unidos para definir os próximos passos.