A frota brasileira de jatos executivos chegou a 11.362 aeronaves em operação em maio deste ano, alta de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).
Considerando apenas os jatos executivos, o crescimento foi ainda maior, de 12,5% nos últimos 12 meses, consolidando o Brasil como o país com a segunda maior frota de aviação executiva do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Segundo a Abag, o mercado brasileiro incorpora cerca de 600 novas aeronaves por ano, ritmo considerado consistente e impulsionado pelo avanço do agronegócio, pela demanda do setor corporativo e pelo surgimento de novos perfis de clientes.
Agronegócio continua liderando demanda
De acordo com o diretor-geral da Abag, Flávio Pires, o agronegócio ainda responde por até metade da demanda por aeronaves executivas no país. A expansão das atividades agrícolas para regiões mais distantes, como Mato Grosso e Tocantins, aumentou a necessidade de deslocamentos rápidos e de longo alcance, favorecendo a aquisição de jatos por empresários do setor.
Além do campo, artistas, atletas, influenciadores digitais e executivos passaram a utilizar com mais frequência a aviação executiva em busca de privacidade, segurança e ganho de tempo.
Compartilhamento amplia acesso
Outro fator apontado pela associação para o crescimento do mercado foi a consolidação da regulamentação da propriedade compartilhada de aeronaves. O modelo permite que diferentes empresários dividam os custos de aquisição e operação de um avião, tornando o investimento mais acessível para quem utiliza a aeronave poucas horas por mês.
Também cresce a modalidade de gerenciamento de aeronaves, na qual empresas especializadas administram toda a operação do avião e comercializam os períodos ociosos, ajudando a reduzir os custos do proprietário.
Infraestrutura acompanha expansão
Segundo a Abag, a infraestrutura aeroportuária também vem acompanhando o crescimento da aviação de negócios. A entidade destaca a expansão de aeroportos regionais voltados ao turismo de alto padrão e a especialização dos terminais na Grande São Paulo, com distribuição das operações entre Congonhas, Campo de Marte e o Aeroporto Executivo São Paulo Catarina.
Feira deve movimentar mais de US$ 150 milhões
O bom momento do setor deve se refletir na edição deste ano da Latin American Business Aviation Conference & Exhibition (Labace), principal feira de aviação executiva da América Latina, que será realizada em agosto, em São Paulo.
A expectativa da Abag é que o evento movimente mais de US$ 150 milhões em negócios, superando os resultados das edições anteriores. Segundo a entidade, o mercado segue aquecido mesmo diante das filas globais de espera por aeronaves novas, que variam entre um ano e meio e dois anos. Enquanto aguardam a entrega, muitos compradores recorrem ao mercado brasileiro de seminovos, considerado um dos mais ativos da aviação executiva.
Mercado aposta em novas tecnologias
Além da expansão da frota, o setor acompanha o avanço de novas tecnologias, como os drones para o agronegócio e os eVTOLs — aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical.
Para a Abag, a tendência é que esse segmento ganhe espaço nos próximos anos, impulsionado pela busca por soluções mais eficientes e sustentáveis para a mobilidade aérea.