O Mercosul e o Canadá concluíram nesta semana mais uma rodada de negociações para um acordo comercial entre as partes. Segundo o comunicado, os avanços obtidos durante as reuniões permitiram que cinco capítulos do futuro acordo passassem para a fase final de negociação. Os encontros contaram com a participação do ministro do Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu.
Na última semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que cerca de 60% do acordo já está definido e que as negociações podem ser concluídas ainda neste ano.
Os números do comércio bilateral reforçam a relevância da parceria. Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões. As exportações brasileiras para o mercado canadense somaram US$ 7,3 bilhões, um crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior e o maior valor já registrado.
De acordo com a nota, o Canadá ocupa atualmente a posição de oitavo principal destino das exportações brasileiras. Entre os produtos mais vendidos estão minérios de alumínio, níquel e cobre, além de açúcar, café, aeronaves e equipamentos para obras de engenharia civil.
O avanço das tratativas ocorre em meio à expectativa de que o acordo de livre comércio entre o Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e o Canadá seja concluído em 2026. Fontes com conhecimento das negociações avaliam, inclusive, que um entendimento poderá ser alcançado antes de setembro, caso o ritmo atual seja mantido.
Uma nova rodada de negociações está prevista para o próximo mês, em Brasília. As conversas foram retomadas em 2024 após um período de paralisação iniciado em 2021. Segundo interlocutores, o processo vem avançando de forma consistente e em ritmo considerado acelerado.
Do lado canadense, há interesse em concluir o acordo ainda este ano. O ministro Maninder Sidhu é apontado por fontes como um dos principais defensores da aceleração das negociações, em um momento em que o Canadá busca diversificar seus mercados de exportação.
A estratégia ganha relevância diante das incertezas do comércio internacional e da necessidade de reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos, principal parceiro comercial canadense. Nesse contexto, a América do Sul, especialmente o Brasil, passou a ocupar posição estratégica para Ottawa.
Para o Mercosul, o acordo é visto como uma oportunidade para ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e estimular investimentos em áreas como mineração, infraestrutura e indústria. O bloco também busca aproveitar o impulso gerado pelos avanços recentes nas negociações com a União Europeia.
A agenda política dos próximos meses pode contribuir para acelerar o processo. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deverá visitar o Brasil ainda este ano. Embora não haja expectativa de um anúncio formal durante a viagem, interlocutores acreditam que o encontro poderá fortalecer o ambiente político necessário para a conclusão do acordo.